Alessandro Rosa Vieira, mais conhecido como Falcão, nasceu em São Paulo, no dia 8 de junho de 1977, é o jogador brasileiro de futebol de salão. Ganhou o apelido em homenagem ao ex-jogador de futebol de campo Paulo Roberto Falcão, que jogou no Internacional de Porto Alegre, Roma e São Paulo.
Iniciou sua carreira no futsal defendendo o Corinthians no ano de 1992. Sua incrível habilidade logo lhe rendeu uma vaga na Seleção. Em 2004, Falcão foi eleito pela FIFA como o melhor jogador de futsal do mundo.
Após uma breve passagem pelo futebol de campo, inclusive com participação na Copa Libertadores de 2005 pelo São Paulo Futebol Clube, Falcão retornou as quadras e atualmente defende a equipe do Santos.
Este Falcão campeão e eleito o melhor do mundo se converteu ao evangelho e conta como foi esta experiência e como está sua vida…
Nada aconteceu de extraordinário que me levasse a Jesus, foi uma necessidade que senti quando visitei uma igreja. Foi um momento especial, onde cada palavra daquela noite mostrou-me coisas que eu não conhecia e dando vontade de voltar e nunca mais sair.
Antes disso, minha vida era vazia, onde o que valia para mim era fama. E dentro disso acabava tratando a vida com valores inexistentes. Depois que tive um encontro com Cristo tudo mudou, hoje os meus valores são outros, vejo o ser humano de forma diferente aprendendo que somos todos iguais, perante o Senhor.
Quando conhecemos a Jesus Cristo, aprendemos que a nossa vida é muito vazia sem o Senhor. E que com Jesus Cristo tudo se torna fácil de renunciar.
Na minha vida profissional as atitudes mudaram naturalmente, pois, continuo cobrando do árbitro, mas com palavras respeitosas e durante a partida acontecem coisas naturais de jogo que hoje eu encaro de forma diferente. Também houve uma grande melhora no número de cartões.
No meu grupo de trabalho a aceitação da minha nova vida, como cristão, foi grande e o respeito também. Todas as pessoas têm o interesse de saber o porquê da minha mudança. Devagar vou trazendo-os para conhecer a nossa abençoada Comunidade para que possam ser abençoados como eu e minha família estamos sendo.
Atualmente, eu me considero uma pessoa totalmente feliz, pela família que eu tenho e por ter conhecido a Jesus Cristo como Senhor e Salvador da minha vida.
Para o futuro, meu desejo é conhecer cada vez mais a palavra de Deus e tenho certeza de que tudo acontecerá naturalmente.
Para as pessoas que desejam seguir a Cristo e não encontram força para prosseguir em frente a sua decisão, eu peço que elas apostem na salvação em Cristo, pois, eu vivo esta experiência e tenho a certeza que é o melhor caminho.
Fonte: Atletas de Cristo
Estava lendo uma reportagem sobre Kim Phuc, uma mulher que em 8 de junho de 1972 teve sua aldeia vietnamita Trang Bang, bombardeada com napalm. Na ocasião, ela tinha apenas 9 anos e quase morreu, tendo ficado com cicatrizes em quase todo o corpo. Anos mais tarde, ela teve a oportunidade de conhecer John Plummer, responsável pelo que havia lhe acontecido. Ele julgava que não havia civis na aldeia, por isso ordenou o ataque. Ele, sabendo de uma palestra que ela iria fazer nos EUA, foi ao seu encontro para pedir-lhe perdão e Kim o perdoou.
Enquanto lia, comecei a refletir sobre a importância do perdão. Uma palavrinha tão pequena, que parece até fácil de ser praticada, mas muitas vezes ao invés de perdoar preferimos simplesmente “ignorar” alguns acontecimentos e pessoas das nossas vidas. Na maioria das vezes, a mágoa permanece lá e com uma leve lembrança, ela começa a aflorar novamente.
Fico pensando na grandeza da atitude dessa mulher, sendo capaz de perdoar algo tão grande, que deixou tantas marcas (em todos os sentidos) enquanto nós, muitas vezes nos prendemos e deixamos de avançar, por não conseguirmos perdoar coisas muito menores.
Maior perdão que o dela é o do nosso Deus, que nos amou, nos perdoou e enviou Seu único filho para morrer por nós, sendo nós ainda pecadores. Como a oração que Jesus nos ensina a fazer, que possamos ser perdoados conforme nós perdoamos a quem nos tem ofendido (Mateus 6:12).
Por Denise Cortazio
Fonte: Jovens Comprometidos
Waguinho era conhecido por sua banda de pagode “Os Morenos”, mas atualmente ele tem dado seu testemunho de fé e é pastor da Igreja Assembléia de Deus dos Últimos Dias. O cantor, que também foi candidato a senador e teve uma expressiva votação, tem se envolvido na evangelização em favelas e presídios juntamente com o pastor Marcos Pereira.
Nesse domingo (27/02/11) o cantor esteve no programa “Esquenta” da Rede Globo que é apresentado por Regina Casé e deu seu testemunho e cantou. No programa Waguinho falou sobre trabalho social e espiritual realizado por ele na sua igreja e interagiu com os sambistas e muitos participantes do programa, muitos desses que conheceram Waguinho antes de se converter.
Uma das características do programa apresentado por Regina Casé foi que no palco também estavam sambistas de diversas religiões no palco, o que Regina chamou de “a cara do Brasil”.
Waguinho cantou a música “Dono da boca” e juntamente com todos no palco cantou o clássico hino “Segura na mão de Deus“.
Assista a participação do cantor no programa Esquenta no vídeo abaixo:
Fonte: Gospel+
Uma entrevista publicada pelo jornal Folha de São Paulo mostrou o lado cristão do jogador Rivaldo, que voltou ao Brasil para jogar com a camisa 10 do São Paulo Futebol Clube. Aos 38 anos o jogador conta como se converteu e faz declarações sobre bebida, fama, dinheiro, divórcio e claro sobre futebol.
O jogador é evangélico, se converteu em 2004 após uma experiência com Deus dentro de seu carro. Rivaldo tem cinco filhos, dois com Rose, com quem foi casado de 1994 a 2003. E os outros três, nascidos na Grécia, com Eliza, sua atual mulher. A família da sua atual esposa é toda evangélica e foi por intermédio dela que ele aceitou a Cristo. Em 19 de abril de 2004, data do seu aniversário, Rivaldo estava voltando de Mogi Mirim e há 20 dias ouvia vozes dizendo que ele morreria em um acidente de carro.
“Tava voltando de Mogi Mirim e ouvi: ‘É hoje, é hoje que você vai morrer’. Eu vinha na [rodovia dos] Bandeirantes, sempre na última pista, para ficar bem longe de caminhão. Mas também ouvia: ‘Se você me aceitar, não morre’. Cheguei no apartamento e disse pra minha esposa: ‘Hoje eu quero aceitar Jesus’. Ela pegou a Bíblia, orou comigo e aí nunca mais escutei aquilo. Se eu já conhecesse Jesus, jamais teria me separado, porque Deus é contra o divórcio”, contou ao repórter da Folha.
Rivaldo disse que quando seu primeiro casamento chegou ao fim na época que ele estava jogando no Milan e chegou a ser considerado o pior jogador da Itália. Ele acredita que o divorcio tenha mexido com a sua estrutura emocional. “Uma separação sempre é difícil, especialmente por causa das crianças, que voltaram pro Brasil. Você está bem para jogar, mas não tem cabeça. Não gosto de dar como desculpa, mas se perguntar a especialistas nesse lugar [aponta a cabeça], elas dirão que afeta um pouco”, relatou.
O repórter chegou a perguntar por que ele pediu para não fazer comercial de bebidas e cigarros e o que ele acha sobre o Ronaldo e o Mano Meneses que aceitaram fazer. A resposta foi pessoal sem fazer comentários contrários aos atletas que aceitam esses trabalhos. “Podem me pagar uma fortuna que eu não faço, mas cada um é cada um. Nunca vou criticar o Ronaldo, o treinador, o Cafu, esses que estão fazendo. Procuro ver o meu lado e eles procuram ver o deles”, comentou Rivaldo. Em 1994 ele chegou a aceitar ser garoto propagando de um comercial da Brahma e hoje ele se arrepende, apesar de, na época, ter recebido um cachê alto. “Hoje eu vejo como um erro, mas estava com 20, 21 anos. Graças a Deus, eu superei isso, porque nunca bebi, nunca fumei. Sou um atleta e quero ser um exemplo, principalmente para as crianças que gostam de esporte. Tenho meus 38 anos e estou jogando futebol, e isso pode servir de exemplo”, diz.
Fonte: Exibir Gospel
Anthony Hopkins, ator americano conhecido pelo seu desempenho como o assassino canibal Hannibal Lecter, esteve no programa de Piers Morgan, da CNN, para falar sobre sua carreira e sobre o dia em que decidiu acreditar em Deus.
Em um determinado momento do programa a apresentadora perguntou, “Você acredita em Deus?” E Hopkins respondeu: “Sim, eu creio. Eu creio”. O ator explicou que cerca de 35 anos atrás, ele sentiu a necessidade de Deus, enquanto estava passando por uma crise e orava a Ele mesmo que nessa época se considerasse ateu.
Hopkins disse que naquela época vivia em Nova York, e tinha um problema com a bebida que era tão grande que quase se sentia como se estivesse possuído. “Era como estar possuído por um demônio, um vício, e eu não conseguia parar. E milhões de pessoas ao redor desse jeito. Eu não conseguia parar”.
Desesperado, ele pediu ajuda a uma mulher que disse a ele que apenas confiasse em Deus. “E eu disse, bem, por que não? E foi um salto quântico a partir daquele momento.”
O último papel interpretado por Anthony Hopkins foi uma padre exorcista no filme “O Rito”. Na entrevista ele revelou que estava nervoso sobre aceitar o papel que mais uma vez descreveu-o como um “esquisito”. Ele disse: “Eu olhei o roteiro e eu pensei que eu não queria fazer outro estranho, porque eu não sou. – não estava completamente convencido”.
Fonte: Gospel Prime
O cantor internacional Jeremy Camp fará uma turnê no Brasil durante o mês de maio. Em seu site oficial estão marcadas as datas para dia 12 em Goiânia, 13 em Belo Horizonte e 14 em São Paulo.
O cantor vem ao Brasil divulgar seu último CD “We Cry Out” que reúne diversas músicas de louvor e composições inéditas. Jeremy também tem um testemunho de fé impactante que você pode ler aqui.
Em breve publicaremos mais notícias sobre a turnê do cantor aqui no Gospel+.
A ativista contra a pena de morte por apedrejamento e defensora da iraniana Sakineh Ashtiani fala da escalada de execuções no Irã e conta por que abandonou a fé em Alá.
Ontem à noite, minha filha pediu que eu desligasse o celular: “Mãe, vamos ver um filme sossegadas. Vamos ficar pelo menos uma noite sem ouvir más notícias”. Eu desliguei o aparelho, e hoje de manhã havia sete mensagens, uma delas com voz de criança. Ela falava baixo, provavelmente porque não podia falar alto: “Por favor, por favor, atenda o telefone, eu preciso de ajuda”
A iraniana Mina Ahadi mora há catorze anos na Alemanha, mas pouquíssimos amigos sabem exatamente onde. Desde que ela criou o Conselho de Ex-Muçulmanos, entidade de apoio a pessoas que abdicaram da fé islâmica, passou a receber ameaças de morte que a obrigam a viver quase reclusa. Renunciar ao Islã é considerado entre muçulmanos uma ofensa grave, punível com pena de morte em países como o Irã, que Mina foi obrigada a deixar depois que os aiatolás tomaram o poder, em 1979. Então uma líder estudantil, ela foi perseguida pela Guarda Revolucionária, teve o marido executado e sua cabeça posta a prêmio. Conseguiu asilo político na Áustria e depois se mudou para a Alemanha, onde hoje chefia os Comitês contra a Execução e o Apedrejamento. Mina Ahadi falou a VEJA em um hotel em Colônia.
A senhora foi uma das pessoas que mais lutaram para que Sakineh Ashtiani – acusada de adultério e, mais tarde, de participação na morte do marido – não fosse executada por apedreja-mento. Como se sentiu ao ouvi-la dizer em entrevista à televisão estatal: “Mina Ahadi, afaste-se de mim, não é da sua conta se eu sou uma pecadora”?
Sei que Sakineh está sob pressão e foi forçada a dizer isso para se salvar. Isso não me incomoda. Também seu filho foi obrigado a declarar diante das câmeras que acredita na culpa da mãe. Mas eu penso que Ahmadinejad (o ditador iraniano Mahmoud Ahmadinejad) vai precisar de outra vítima para demonstrar a sua força. Sakineh já está salva. Por quê? Graças à repercussão que o caso alcançou, o regime não pode mais executá-la – nem pública nem clandestinamente. O governo já está convencido disso. Apenas busca achar um meio de não sair desmoralizado do episódio. Todo esse processo, no fim, foi bom para o Irã. Chamou a atenção do mundo para a barbárie do regime. Antes do caso Sakineh, a preocupação dos países em relação ao Irã se limitava à questão nuclear.
Mas não há sinais de que o governo de Ahmadinejad esteja cedendo a essa pressão mundial. Pelo contrário, medidas recentes apontam para uma “talibanização” do regime, como a reforma curricular destinada a “livrar os estudantes da influência ocidental” e a proibição do uso de determinadas roupas e acessórios.
O Irã neste momento é um país muito instável e seus governantes estão perigosamente próximos dos mulás dos anos 80. Desde as manifestações de 2009 e a morte de Neda (a estudante Neda Agha Soltan, que, ferida por um tiro disparado por um membro da milícia islâmica, teve a agonia registrada em um vídeo que correu o mundo), o governo aumentou a pressão sobre os estudantes, as mulheres e os trabalhadores. Ele sabe que qualquer fagulha pode desencadear um incêndio. A derrubada do regime de Ben Ali (o ditador Zine El Abidine Ben Ali) na Tunísia deve fazer com que as medidas de repressão se intensifiquem ainda mais. As execuções, por exemplo, estão aumentando de maneira assustadora. E vêm sendo conduzidas de uma forma como fazia tempo não se via. Os nomes dos executados voltaram a ser publicados nos jornais oficiais. Na semana passada, eles trouxeram mais dez. Desde janeiro, a média no país tem sido de uma execução a cada oito horas.
Quais são os crimes que mais têm resultado na pena de execução?
As execuções por acusação de envolvimento com drogas têm sido muito frequentes. Há duas semanas, um jovem de 23 anos foi morto por portar 50 gramas de heroína. No início do mês, outro jovem, acusado de esfa-quear um amigo em outubro do ano passado, recebeu cinquenta chibatadas. No dia seguinte, 5 de janeiro, ele foi enforcado em praça pública. Isso se passou em Teerã – não numa vila longínqua, mas na capital do país. A TV estatal mostrou-o caminhando para a execução com as mãos amarradas e o olhar muito assustado. Depois, um repórter entrevistou parentes da vítima e outras pessoas na multidão, perguntando o que haviam achado do que viram. Em todas as entrevistas que foram ao ar, os entrevistados declararam considerar aquela execução positiva e agradeceram ao presidente pela medida.
Execuções públicas são frequentes em Teerã?
Não, fazia muito tempo que isso não ocorria. Trata-se, claramente, de uma nova tática do regime para infundir o terror na população. As prisões estão lotadas. Há, inclusive, crianças e adolescentes aguardando fazer 18 anos para ser executados. Praticamente todos os dias eu recebo chamadas de condenados me pedindo ajuda. Ontem à noite, minha filha pediu que eu desligasse o celular: “Mãe, vamos ver um filme sossegadas. Vamos ficar pelo menos uma noite sem ouvir más notícias”. Eu desliguei o aparelho, e hoje de manhã havia sete mensagens, uma delas com voz de criança. Ela falava baixo, provavelmente porque não podia falar alto: “Por favor, por favor, atenda o telefone, eu preciso de ajuda”.
Que crime essas crianças e adolescentes cometeram?
Alguns são acusados de assassinato, outros de envolvimento com drogas. Mas os julgamentos muitas vezes se baseiam no testemunho de uma única pessoa, ou num comportamento que o estado considera criminoso, como o sexo entre dois homens ou duas mulheres. Estou em contato com a família de dois adolescentes presos porque um deles gravou no seu celular cenas de sexo que teve com o outro e as imagens caíram nas mãos da polícia. Foram condenados à morte por apedrejamento. Como acontece muitas vezes, os familiares não querem ajuda.
Por vergonha?
Para não terem sua reputação comprometida. Eles preferem que os jovens fiquem presos.
Preferem inclusive que sejam apedrejados?
Eles não querem que o caso venha a público. O pai de um desses jovens me disse: “Deixe a nossa família em paz”. Para os homens, principalmente, trata-se de uma desonra muito grande. Agora, estou tentando entrar em contato com as mães desses rapazes.
A senhora pode descrever uma execução por apedrejamento?
Ela acontece em geral ao amanhecer. A pessoa condenada tem as mãos amarradas nas costas e é envolta em uma mortalha branca. Fica totalmente embrulhada nesse pano, o rosto também. Então, é colocada de pé num buraco fundo e coberta de terra até o peito, no caso das mulheres, e até a cintura, no caso dos homens. Dependendo da condenação, é o juiz quem atira a primeira pedra. Mas pode ser também uma das teste-munhas. Se a vítima é uma mulher sentenciada por adultério, por exemplo, tanto o seu marido quanto a família dele podem lançar as primeiras pedras. A lei diz que elas têm de ser grandes o suficiente para machucar a vítima, mas não para matá-la no primeiro ou segundo golpe.
Quanto tempo ela leva?
Pode levar quinze minutos, pode levar mais de uma hora. Um médico fica no local para, de tempos em tempos, verificar se o apedrejado ainda está vivo. Até o fim dos anos 80, o apedrejamento no Irã era um ritual público – assim ordenava a lei. O horário e o local eram anunciados no rádio, nos jornais e na TV. Qualquer um podia comparecer. Mas houve alguns episódios em que as pessoas se manifestaram contra a prática. Num deles, chegaram a atirar pedras contra os mulás presentes. Em 1997, na cidade de Bukan, o apedrejamento de uma mulher acusada de adultério acabou suspenso devido aos protestos e à interferência da multidão. A mulher – seu nome é Zoleykhah Kadkhoda – foi levada ao hospital quase morta, mas sobreviveu e está viva até hoje. Depois disso, as execuções passaram a ser fechadas. Agora, a polícia religiosa é que atira as pedras.
Quantas pessoas estão condenadas ao apedrejamento hoje no Irã?
Mais de 100 pessoas já foram mortas dessa forma pelo estado desde 1979 e outras 27 aguardam na fila.
A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, posicionou-se publicamente contra a prática do apedrejamento, que classificou de barbárie. Qual a expectativa que a senhora tem desse novo governo?
O que eu espero da presidente Dilma é que ela faça o que seu antecessor não fez: que condene a situação dos direitos humanos no Irã e se recuse a manter relações diplomáticas com um regime assassino como o de Ahmadinejad, a quem Lula chamava de “amigo”.
A senhora foi perseguida pelo regime do xá Reza Pahlevi por suas atividades como líder estudantil. Com a Revolução Islâmica, tornou-se alvo dos aiatolás ao liderar um movimento contra o uso obrigatório do véu…
Sim, sim, mas não há comparação. Como líder estudantil em Tabriz, tive problemas durante o regime do xá: não podia ler alguns livros, dizer algumas coisas, tinha de me apresentar de tempos em tempos à polícia, mas era, por assim dizer, um jogo com regras claras. Com Khomeini, no entanto (o aiatolá Ruhollah Khomeini, líder do movimento que, em 1979, derrubou a monarquia iraniana e instalou a teocracia no país), tudo ficou muito mais brutal. Ele criou a Guarda Revolucionária, uma milícia cruel e impiedosa, principalmente para com as mulheres. Tínhamos de escolher entre o véu e as chibatadas. Quando fizemos essa manifestação contra o uso do véu, tudo transcorreu sem incidentes. Mas, no dia seguinte, quando cheguei à faculdade onde estudava medicina, não pude entrar. Havia um soldado da Guarda com uma lista de nomes de alunos que tinham sido expulsos. Eu cursava o último ano da faculdade, já trabalhava no hospital da universidade e não pude me formar.
Foi então que a senhora se exilou na Europa?
Não. Meu marido não foi expulso como eu e continuou seus estudos de física. Eu passei a trabalhar como operária na fábrica da Pepsi e, à noite, escrevia panfletos contra o regime. Tinha uma máquina de datilografar muito velha que fazia um tremendo barulho. Era preciso vedar a porta e a janela do nosso apartamento para poder bater os textos de modo a não chamar a atenção dos vizinhos. Um dia, quando voltava da fábrica para casa, vi um membro da Guarda parado em frente ao meu prédio. Dei meia-volta e não entrei. Eles levaram meu marido e cinco outras pessoas do nosso grupo que estavam hospedadas em casa, três homens e duas mulheres. Tirando as mulheres, que foram libertadas mais tarde, todos foram executados, inclusive meu marido. Eu consegui fugir para Teerã e, de lá, fui para o Curdistão. Depois, como asilada política, morei seis anos em Viena, na Áustria. Estou há catorze anos na Alemanha.
Aqui, na Alemanha, a senhora criou um comitê para muçulmanos que renunciaram à fé islâmica, o que lhe rende ameaças de morte até hoje. O que a motivou a fazer isso?
Acredito que, como eu, muitos imigrantes de países muçulmanos vieram para cá em busca de uma vida melhor, o que inclui mais liberdade. E essas pessoas não precisam estar fadadas a viver em uma sociedade paralela, em que as crianças não podem ter amigos de outro sexo ou frequentar aulas de natação por causa de uma religião na qual, eventualmente, elas não acreditam mais. O que nós queremos é romper esse tabu, é apoiar as pessoas na decisão de libertar-se desse Islã que se voltou contra os muçulmanos.
A senhora se considera uma ex-muçulmana?
Sim, desde os 15 anos, quando deixei de fazer minhas preces. Nas últimas décadas, em muitos lugares, o islamismo tornou-se uma ferramenta de manipulação política, e não uma religião restrita à esfera privada. Há muito tempo esse Islã deixou de fazer sentido. Hoje, para mim, ele significa apenas barbárie e crueldade.
Fonte: Notícias Cristãs
Enquanto as águas escuras e geladas do Atlântico enchiam lentamente o convés do Titanic, John Harper gritava: “Deixem as mulheres, crianças e descrentes subirem nos barcos salva-vidas.” Harper tirou seu salva-vidas – a última esperança de sobrevivência – e o entregou a outro homem. Depois que o navio desapareceu sob a água escura, deixando Harper se debatendo nas águas geladas, ouviram-no incentivando os que estavam à sua volta a confiar em Jesus Cristo. Era a noite de 14 de abril de 1912. Uma noite de heróis, e John Harper foi um deles. Apesar das águas que o tragavam serem extremamente frias e do mar à sua volta estar escuro, John Harper deixou este mundo numa resplandecente glória.
Os atos de coragem de Harper foram espontâneos. Ele não tinha motivo para imaginar que o Titanic afundaria, nem tempo para escrever um roteiro. Uma revista comercial, The Shipbuilder, descreveu o Titanic como “praticamente insubmergível”. No dia 31 de maio de 1911, um empregado da Companhia de Construção Naval White Star disse: “Nem mesmo o próprio Deus pode afundar esse navio”. O Titanic representava toda a segurança, elegância e confiança da era vitoriana-edwardiana. A Associated Press era entusiasta do navio, declarando: “Tudo que a riqueza e a habilidade modernas podiam produzir estava incorporado no Titanic, o navio mais longo já construído, com mais de 4 quadras de comprimento.., com acomodações para uma tripulação de 860 pessoas e capacidade para 3.500 passageiros, ele foi construído com o mesmo cuidado dedicado aos melhores cronômetros”. A ostentação e o tamanho recorde do Titanic impressionaram a era dourada da construção naval. Seus motores de 50.000 HP que produziam a velocidade de 24 nós por hora eram protegidos por dezesseis compartimentos estanques. Cada um era protegido por estruturas de aço. Na época do seu lançamento, o Titanic era o maior objeto móvel manufaturado do mundo. Depois de fazer as duas primeiras paradas para passageiros e correio em Cherbourg e Queenstown, Irlanda, os passageiros se sentiram ainda mais seguros. Harper escreveu numa carta para seu amigo Charles Livingstone antes de atracar em Queenstown, dizendo: “Até agora a viagem é tudo que se pode desejar.”
Às 11:40 da noite de 14 de abril de 1912, um iceberg rasgou o lado estibordo do navio, jogando gelo por todo o convés e arrebentando seis compartimentos estanques. O mar se infiltrou. A maioria dos passageiros não acreditava que o Titanic afundaria até que a tripulação começou a lançar foguetes de sinalização para o alto. Charles Pellegrino disse: “A água brilhou por todos os lados. Barcos salva-vidas podiam ser vistos nela… Naquele enorme facho de luz artificial, as mentes também foram iluminadas. Todos entenderam a mensagem dos foguetes por si próprios”. Depois dos foguetes, ninguém precisava ser convencido a entrar nos barcos salva-vidas. De repente, quando a água alcançou a metade da ponte de comando, um estrondo que parecia um milhão de pratos quebrando, cortou a noite. Enquanto a popa do Titanic subia alto no céu para se preparar para seu mergulho ao fundo do mar, um barulho terrível como uma explosão abalou o ar da noite. Passageiros davam-se as mãos e se jogavam na água. Às 2:20 da manhã o Titanic começou sua descida lenta para o fundo do mar, deixando uma nuvem emergente de fumaça e vapor acima do seu túmulo. Nas águas geladas do Atlântico Norte, na calada da noite, o navio mais famoso do mundo terminou sua primeira e última viagem, mas alcançou uma mística náutica que só perde para a da arca de Noé. Tudo aconteceu tão rápido, que Harper só pôde reagir. Sua reação deixou um exemplo histórico de coragem e de fé. “Os heróis da humanidade”, disse A. P Stanley, “são como as montanhas, como os planaltos do mundo moral”. John Harper foi um desses heróis.
A Parte Mais Difícil do Seu Heroismo
Nunca é fácil assumir tais ações heróicas, e para John Harper foi excepcionalmente difícil. Sua filha pequena, Nana, estava viajando com ele. Quatro anos antes, a mãe dela adoeceu e morreu. Agora, Harper sabia, Nana ficaria órfã aos seis anos de idade.
Quando o alarme indicou o fim do Titanic, Harper imediatamente entregou Nana a um capitão do convés com ordens para colocá-la num barco salva-vidas. Então ele saiu para socorrer os outros. Nana foi resgatada e mandada de volta à Escócia, onde cresceu, casou-se com um pastor, e dedicou toda a sua vida ao Senhor a quem seu pai tinha servido.
Certa vez, depois de Harper escapar por pouco de se afogar aos 26 anos, ele disse: “O medo da morte não me preocupou em momento algum. Eu acreditava que a morte súbita seria glória súbita, mas havia uma menininha sem mãe em Glasgow”. Agora, essa menininha ficaria sem mãe e sem pai. Com certeza essa foi a parte mais difícil para Harper.
O Herói em Contraste
O heroismo altruísta desse escocês é acentuado pela conduta contrastante de muitos colegas passageiros nessa viagem mortal. Enquanto Harper entregava seu colete salva-vidas, um banqueiro americano conseguiu colocar um cachorro de estimação num barco salva-vidas, deixando 1.522 pessoas sem ajuda. Não havia um espírito de “afundar com o navio”. Dos 712 salvos, 189 eram, inclusive, homens da tripulação. O coronel John Jacob Astor tentou escapar com sua mulher num barco salva-vidas e foi detido pelo segundo-oficial Charles Lightoller. Astor era o homem mais rico do mundo, mas isso foi insuficiente para forçar a sua entrada num simples barquinho salva-vidas. Daniel Buckley se disfarçou de mulher na tentativa de conseguir um lugar no barco. Os passageiros da primeira classe, no primeiro barco salva-vidas a ser baixado, se recusaram a voltar e recolher pessoas que estavam se afogando, apesar de haver espaço para muitos outros serem salvos. A Sra. Rosa Abbott, a única mulher a afundar com o navio e sobreviver, disse que um homem tentou subir nas suas costas forçando-a para baixo da água e quase afogando-a.
O Sr. Bruce Ismay, um dos donos do Titanic, diretor administrativo da Companhia White Star e o responsável por não haver barcos salva-vidas [suficientes] a bordo, tornou-se o marinheiro mais infame desde o Capitão Bligh. Ele subiu num barco salva-vidas enquanto centenas de mulheres permaneceram no navio condenado. O Capitão Smith ordenou a seus homens: “Façam o melhor que puderem para as mulheres e crianças, e cada um cuide de si”. Ao mesmo tempo, John Harper mandava os homens fazerem o que podiam para as mulheres e crianças e cuidarem dos outros.
Uma Ambição Inabalável
Quando o monstruoso iceberg partiu as ambições dos outros em pedaços, Harper demonstrou sua ambição inabalável que nem a morte podia afetar. Ele declarou Jesus Cristo como a esperança do homem até o fim, ao contrário de outros que foram forçados a encarar a insensatez de suas ambições. Um certo Sr. Hoffman raptou seus filhos, Lolo e Momon, que ficaram conhecidos como as ‘‘crianças abandonadas do Titanic”. Seu único desejo fora tirar suas crianças de perto da mãe. Mas, diante da morte, ele as colocou num barco salva-vidas, certificando-se de que elas voltariam para a mãe delas em Nice, França. John Phillips, um tripulante presunçoso, mandou o navio The Ca/ifornian “calar a boca” depois que este enviou pelo rádio o sexto aviso de icebergs no trajeto do Titanic. Ao encarar a morte, sua presunção desapareceu e ele clamou: “Deus me perdoe… Deus me perdoe”. O pai de Michel e Edrnond Navratil levou seus dois meninos a bordo do Titanic numa viagem sem volta para a América a fim de escapar para sempre da esposa, que ele tinha pego tendo um caso com um oficial de cavalaria italiano. Abandonando sua ambição, Navratil colocou seus meninos num barco salva-vidas. Suas últimas palavras foram: “Digam à sua mãe que serei sempre dela”.
O projetista do Titanic passou os momentos finais da sua vida no salão de fumar, observando um painel na parede que dizia: “O Novo Mundo Por Vir”. Seu colete salva-vidas foi deixado de lado, demonstrando o fim do que fora um belo sonho por parte dele, dos donos do navio e do público.
A Sra. Isador Straus, cujo marido era dono da Loja de Departamentos Macy’s, não entrou num barco salva-vidas. Ela disse ao seu marido: “Onde você for, eu vou”; ajudou sua criada a entrar no barco número oito e colocou seu casaco de pele nos seus ombros, dizendo-lhe: “Mantenha-se aquecida. Eu não vou precisar dele”.
Benjamin Guggenheim e seu criado Victo Giglio apareceram no convés em trajes de gala como dois comediantes orgulhosos, dizendo: “Nos vestimos com o melhor e estamos preparados para afundar como cavalheiros”.
Jogadores de cartas trapaceiros, que viajavam com identidades falsas e tinham roubado $30.000 dos passageiros, pararam com suas trapaças. O instrutor T. W McCawley, que estava ensinando pessoas a montar em cavalos e camelos mecânicos, interrompeu suas aulas. O fascínio das camas luxuosas, lareiras, banhos turcos com câmaras refrigeradas douradas e da primeira piscina construída num transatlântico terminou. Passageiros no salão da primeira classe cessaram as suas festas e desfilaram no convés com coletes salva-vidas sobre os trajes de gala. As reuniões de negócios pararam. O falatório das socialites cessou. Mas, com o seu último suspiro, John Harper, sem desanimar, continuou o trabalho da sua vida: convencer homens a “crer no Senhor Jesus Cristo”.
Harper Conhecia Bem os Terrores do Afogamento
A coragem de Harper não vinha da ignorância. Provavelmente ninguém no Titanic conhecia tão bem os terrores do afogamento como John Harper. Aos dois anos de idade ele caiu num poço e foi ressuscitado a tempo por sua mãe. Aos vinte e seis anos, Harper foi levado a alto mar por um correnteza e sobreviveu por pouco. Aos trinta e dois anos ele encarou a morte num navio com vazamento no Mediterrâneo. Talvez essa fosse a maneira de Deus testar esse servo para a sua missão de último aviso no Titanic.
Harper já sabia o que centenas de pessoas descobriram naquela noite trágica – afogamento é uma morte terrível. Will Murdoch, o primeiro-oficial do Titanic, foi incapaz de enfrentar uma morte lenta na água e se matou com um tiro quando a ponte de comando afundou. Muitos dos 1.522 homens, mulheres e crianças abandonados a bordo gritaram até ficar num silêncio terrível. Em contraste, um John Harper confiante encarou a morte com segurança absoluta de que Jesus derrotou a morte e deu-lhe a dádiva da vida eterna. Essa segurança ultrapassou os terrores do afogamento.
A Paixão de Toda a Sua Vida
O heroismo de Harper não foi apenas um momento glorioso de uma vida sem atos heróicos. Ele amou, chorou, orou e trabalhou pelos outros durante toda a sua vida. Harper recuperou alcoólatras, jogadores, e brigões. Como pastor, às vezes, passava a noite inteira na sua igreja orando pelas suas centenas de membros individualmente. Harper trabalhava dia e noite, nos lares e nas ruas, indicando uma vida melhor para os desamparados. Ele trabalhava sem cessar entre os pobres, procurando ajudá-los.
A labuta fatigante de Harper era realizada apesar de sua má saúde. No verão de 1905, a enfermidade o incapacitou por seis meses, acabou com sua saúde e roubou sua bela e ressonante voz. Seu corpo nunca mais foi o mesmo, restando apenas um esqueleto do homem que fora. A pele pálida, o corpo frágil e as enfermidades constantes de Harper eram as marcas de alguém que se recusava a parar para descansar. Porém, apesar da má saúde e do corpo cansado, Harper era sagaz e alegre. Esse servo dedicado era conhecido por ser “glorificado na sua fraqueza”. Na noite anterior ao naufrágio do Titanic, enquanto os outros jogavam e descansavam, John Harper foi visto no convés do navio tentando com todo zelo levar um rapaz a crer em Cristo.
Harper Teve uma Oportunidade de Escapar do Titanic
Os atos heróicos de John Harper no Titanic assumem uma dimensão maior quando se considera sua oportunidade de ter evitado o desventurado navio. A principio estava marcado que Harper iria no navio Lusitania para pregar na Igreja Memorial Moody em Chicago. Ao invés disso, ele se levantou e informou aos homens da Missão Seaman’s Center em Glasgow que os planos foram mudados e ele partiria no Titanic para a igreja Memorial Moody de Chicago. Em 1911, ele havia tido as melhores conferências desde os dias do grande D. L. Moody, e a igreja o convidou novamente para três meses de reuniões.
O Sr. Robert English levantou-se numa reunião no Seaman’s Center e suplicou que Harper não viajasse para Chicago. English disse a Harper que estava orando e teve um pressentimento de que aconteceria um desastre se ele fizesse essa viagem. Ele se ofereceu para pagar a passagem se Harper adiasse a sua viagem. Vários outros testemunharam o fato de que English insistiu com Harper, inclusive Willie Burns, que estava presente na reunião em Glasgow, e as duas netas de English, Mary Whitelaw e Georgina Smith, ambas membros da Igreja Memorial Harper.
As palavras de English foram muito semelhantes às palavras ditas ao apóstolo Paulo por um profeta chamado Ágabo 1.900 anos antes. Ágabo atou suas mãos e seus pés, dizendo: “Assim os judeus, em Jerusalém, farão ao dono deste cinto e o entregarão nas mãos dos gentios”. A recusa de Harper de voltar atrás foi muito parecida com a reação de Paulo: “Que fazeis chorando e quebrantando-me o coração? Pois estou pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus”(Atos 21.10-13). Ambos, Paulo e Harper, tinham um senso de propósito divino com relação às suas viagens, e ambos estavam dispostos a morrer para realizar esse propósito.
As advertências proféticas dadas a esses dois homens de Deus indicam que o Senhor aprovou seu sacrifício. A advertência de Ágabo deu um senso de propósito divino a Paulo quando ele viajou a Jerusalém onde pregaria o Evangelho, seria preso e condenado à morte. A advertência do Sr. English deu a Harper o mesmo senso de propósito divino quando ele se tornou a testemunha final num navio da morte.
No Final só Havia Duas Classes de Passageiros
Depois que o Titanic afundou, o escritório da White Star em Liverpool, Inglaterra, colocou um grande painel de cada lado da entrada principal. Em um deles escreveram com letras grandes: “Identificados como Salvos”, e no outro: “Identificados como Desaparecidos”. Quando a viagem do Titanic começou havia três classes de passageiros. Mas, quando ela terminou o número foi reduzido a duas — os que foram “salvos” pelos barcos salva-vidas e os que ficaram “perdidos” nas águas profundas.
Parentes e amigos dos passageiros do navio esperavam do lado de fora do escritório da White Star. Quando notícias sobre um passageiro chegavam, seu nome era escrito num pedaço de papelão. Então um empregado levava o nome até o portão. De frente para a multidão ele levantava o papelão; a multidão ficava num silêncio mortal. Todos observavam ansiosamente para ver em qual dos painéis o nome seria colocado.
John Harper mergulhou na morte com desprendimento total, sabendo que estaria entre os passageiros perdidos. Mas ele tinha certeza absoluta de que seu nome estaria na lista dos “salvos” diante do trono de Deus. Lorde Mercer expressou assim a atitude de Harper com relação à morte: “Numa única noite, entre o anoitecer e o amanhecer, durante algumas poucas horas de inconsciência de muitos que dormiam tranqüilamente, partiram desta terra centenas de vidas, algumas ricas em promessas e futuros aparentemente felizes, levando com elas todas as esperanças de outras pessoas. Mas a constância e a coragem cristãs, a renúncia absoluta e o heroísrno inabalável com que tantos encararam seu fim, nos ajudam a perceber que a morte não é o fim de todas as coisas e que esta vida é apenas a entrada para a vida verdadeira, que ela é apenas o portal da eternidade”.
O Último Convertido de John Harper
Duas horas e quarenta minutos depois do Titanic colidir com o iceberg, ele afundou nas águas geladas. Centenas se ajuntaram em barcos e botes salva-vidas, e outros se agarraram a pedaços de madeira esperando sobreviver até que chegasse socorro. Durante cinqüenta minutos horríveis os gritos de socorro encheram a noite. Eva Hart disse: “O som das pessoas se afogando é algo que não posso descrever para você. E ninguém mais pode. É um som horrível. E há um silêncio terrível que o segue”. O sobrevivente coronel Archibald Gracie chamou isso de “a cena mais lastimável e horrível de todas. Os gritos comoventes dos que estavam à nossa volta ainda soam nos meus ouvidos, e eu me lembrarei deles para o resto da minha vida”.
Durante aqueles 50 minutos, um homem agarrado a uma tábua chegou perto de John Harper. Harper, que estava se debatendo na água, gritou: “Você é salvo?” A resposta foi: “Não”. Harper gritou as palavras da Biblia:
“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”. Antes de responder, o homem sumiu na escuridão.
Mais tarde, a correnteza os aproximou novamente. Mais uma vez Harper, que estava morrendo, gritou a pergunta: “Você é salvo?” Mais uma vez ele recebeu a resposta: “Não”. Harper repetiu as palavras de Atos 16.31: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”.
Harper, que estava se afogando, soltou, então, as mãos do objeto em que se segurava na água gelada e desceu para seu túmulo no oceano. O homem que ele tentou evangelizar confiou em Jesus Cristo. Mais tarde ele foi socorrido pelos barcos salva-vidas do navio S.S. Carpathia. Em Hamilton, Ontario, este sobrevivente testemunhou que foi o “último convertido” de John Harper.
O último convertido de Harper foi alcançado pelas últimas palavras de Harper: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”.
Houve muitos heróis no Titanic, mas ajudando os outros enquanto se afogava, John Harper foi o último.
A Formação de um Herói
John Climie
Faz cerca de vinte anos, talvez um pouco mais, que conhecemos o Sr. Harper pela primeira vez. Nossa lembrança mais antiga dele era dos seus trabalhos no Evangelho em Bridge-of-Weir. Na época ele só parecia um rapaz crescido. Mas naquele tempo, como durante toda a sua carreira pública, a chama do Senhor ardia intensamente no seu coração.
A Conversão de John Harper
Ele nasceu em Houston, Renfrewshire, no dia 29 de maio de 1872, e foi no último domingo de março de 1886, quando tinha treze anos e dez meses de idade, que aceitou Jesus. Ele nunca foi um rapaz de confusão. Sua juventude desde a pré-adolescência foi moldada e protegida por sua fé no Senhor Jesus Cristo. O amor de Deus foi derramado no seu coração, e permeou sua vida completamente, formando seus pensamentos, induzindo à ação no momento certo, e preservando-o do mal que está neste mundo. Foi através de João 3.16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”, que o caminho da salvação ficou claro no seu coração e na sua mente. Esse tem sido o meio de iluminar multidões. Foi o que o iluminou, e o libertou do medo. “O perfeito amor lança fora o medo”.
Ele recebeu a verdade por amá-la, e a verdade o libertou. Nas palavras esclarecedoras daquele texto, ele viu Jesus como a dádiva de Deus oferecida ao mundo inteiro, e, portanto, para ele corno habitante deste mundo. Ele recebeu essa dádiva com ações de graça, e uma nova vida começou.
Aqueles que dirigiam o culto em que ele aceitou o Salvador foram abençoados com muitas conversões, mas convertidos como John Harper são raros. As vezes há grande júbilo e muitos aleluias quando um pecador notório se converte, mas, infelizmente, muitas vezes a alegria dura pouco. Algumas pessoas por quem houve muito regozijo, mais tarde provaram ser pouco confiáveis.
Não se sabe se houve alegria especial quando o menino do interior aceitou Jesus naquela noite, mas depois que recebeu a Palavra, ele a guardou num coração sincero, e mais adiante deu frutos com paciência. A palavra de João 15.16 poderia se referir a ele: “eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça”.
Não é necessário que os homens tenham se afundado no pecado para terem utilidade especial para Cristo depois que a graça redentora de Deus os tenha alcançado. No exercício do seu ministério público, o Sr. Harper jamais se afastou de Deus caindo profundamente em pecado. Contudo, ele foi o instrumento de Deus para levar ao Salvador muitos que estavam totalmente extraviados. Desde o começo ele foi claramente, pela vontade de Deus, “um vaso para honra, santificado, e adequado para o uso do Mestre”.
E para o louvor do Senhor que Deus pode e consegue mudar as vidas de homens degradados e infames, dando-lhes um lugar de honra e distinção na Sua obra. Mas as ações malignas deles antes da conversão, às vezes, são uma armadilha para eles depois da conversão, ao invés de um auxílio no serviço para Cristo. Uma vida pura antes da conversão é um recurso valioso.
A Herança de Pais Tementes a Deus
John Harper nasceu e foi criado num lar cristão, como será relatado mais tarde neste livro. Seus pais. pobres neste mundo, eram herdeiros do Reino que Deus prometeu aos que O amam. Quanto mais lares cristãos, melhor, não só para a igreja, mas para a nação também. Ser criado no cuidado e conselho do Senhor, num ambiente de oração e de reverência à Palavra de Deus, é ser selado na juventude com marcas que são de grande valor, apesar de ocasionalmente os resultados esperados demorarem a aparecer.
Ser criado no temor de Deus é uma herança de valor inestimável. Apesar de ter sido num domingo à noite em março de 1886 que o menino de quase quatorze anos aceitou a Cristo, havia todas as marcas dos anos anteriores guardadas na sua mente jovem. Não foi em vão que ele ouviu durante esses anos marcantes as orações e súplicas de seu pai e a exposição da Palavra de Deus naquele lar simples. A lenha foi colocada na lareira do seu coração, e eis que naquela noite de domingo uma fagulha de amor divino caiu sobre ela, e a chama se acendeu.
Uma Experiência Marcante na Vida de Harper
Durante os quatro anos que se seguiram não houve nada de especial sobre ele, pelo menos nada que previsse a grande utilidade que marcaria sua vida futura. Ele ia freqüentemente às reuniões bíblicas que eram realizadas com entusiasmo por alguns jovens da vila, com a ajuda de pastores de outros lugares. Ele ficou livre de amizades comprometedoras, e firmou-se na fé moderadamente e sem ostentação.
Mas depois de quatro anos e quatro meses, quando tinha acabado de fazer dezoito anos de idade, ele passou por uma experiência maior. O crescimento é uma lei do Reino de Deus. As vezes é bem devagar e quase imperceptível. Outras vezes é espantosamente rápido. Alguns homens crescem mais numa hora de temor perante as coisas de Deus do que outros que levam anos para crescerem. Seja qual for a nova experiência, é sem dúvida o Espírito de Deus agindo para o crescimento em graça, levando a alma a um espaço mais extenso, ampliando o horizonte, clareando a visão, implantando ideais mais nobres.
Uma Visão de Esperança
Foi no ano de 1890 que John Harper teve a conscientização que o selou para o ministério público. Ele estava em casa sozinho num sábado à tarde no mês de junho. Ao redor da sua casa na vila, a natureza estava exuberante. Junho é o rei dos meses de verão na Escócia. As flores desabrochavam. Os pássaros cantavam. O sol brilhava. Mas enquanto outros jovens deviam estar passeando nos campos verdes ou pelos riachos, dentro daquela casa na vila o Espírito de Deus levava um jovem a pastos verdejantes e águas de descanso.
Uma clareza arrebatadora foi dada a ele, quase devastadora na sua intensidade, na qual ele viu e sentiu como nunca havia sentido antes o propósito de Deus na Cruz de Cristo. No amor de Cristo pelos homens como visto no Calvário ele admirou, de forma mais completa, uma porta de esperança aberta para um mundo pecador, e juntamente com essa revelação nova ele sentiu que Deus o chamava, e entregava-lhe uma parte no ministério de reconciliação. No dia seguinte seus lábios estavam abertos. Assumindo sua posição na rua da sua cidade natal, ele começou a compartilhar um apelo fervoroso para que os homens se reconciliassem com Deus.
Um Pastor Sem Curso Teológico
Toda instrução que ele recebeu foi obtida no colégio na sua cidade natal, e como muitos outros rapazes ele não se entusiasmava com a escola. Ele estava ansioso por trabalhar, pensando como outros da sua idade que o trabalho é sinal de maturidade. Além disso, tudo que podia ganhar era necessário em casa. Logo que pôde sair da escola, suas mãos estavam ocupadas com o trabalho. Ele trabalhou com jardinagem por um tempo, mas estava empregado numa fábrica de papel quando teve a maravilhosa experiência e o chamado para o ministério.
Nenhuma universidade jamais teve a oportunidade de moldá-lo. Ele foi treinado pela mão de Deus para o ministério, não tendo freqüentado curso teológico formal. Talvez isso tenha diminuído seu “status” aos olhos de alguns, mas não diminuiu seu zelo pelo bem-estar moral e espiritual do seu próximo. E, afinal, não é o que o homem adquire com a escolaridade, mas o que o homem realiza que tem valor entre homens justos.
A Palavra de Deus era Sua Doutrina
Ele tinha uma mente organizada, o que ficou mais evidente com o passar do tempo, e era um estudante dedicado de obras teológicas. Quando jovem, absorveu muito da doutrina calvinista, mas do tipo muito rígido e restrito. Porém, à medida em que cresceu em graça e conhecimento, sua mente se expandiu, e não teve dificuldade em crer em qualquer verdade ou sistema de doutrina que tivesse base bíblica. Ele adotou e seguiu a Soberania Divina e o Livre Arbítrio como esses termos são entendidos popularmente, acreditando que eram baseados na Palavra de Deus. Dizia não saber explicar como eles co-existem, e não discutia sobre esses termos, reconhecendo, como os homens mais sábios e dedicados de todas as gerações, que eles são assuntos de fé e não de debate.
Ele era um estudante zeloso da Bíblia. Lia a Escritura Sagrada. Meditava nela. Usava qualquer comentário que pudesse esclarecê-la, ou que o ajudaria a aprender com ela. Submeteu-se à sua autoridade. Interpretou-a. Poucos podiam usá-la melhor que ele “para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. Aceitava qualquer forma de doutrina encontrada nela. Fazia isso com persistência. Apegava-se a toda instrução que ela lhe dava. Ele a amava como à sua própria vida. Toda doutrina que não se encontrava nas Escrituras Sagradas, não importava quão bem apresentada, nem por quem fosse proclamada, não era aceita por ele. “Assim diz o Senhor” era o seu lema.
Ele se firmava na rocha da revelação. As teorias dos homens eram areia para ele. A Palavra de Deus era rocha. Sempre provava seu valor, e não se envergonhava de declarar sua fé nela. Sempre citava textos de forma impressionante, e os homens lembrariam do texto sobre o qual tinha pregado mesmo que não se lembrassem de mais nada.
Um homem de negócios em Glasgow lembra-se de vê-lo num salão em Kilbarchan há cerca de vinte anos atrás citando 1 João 1.7: “E o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”. As palavras “todo pecado” foram repetidas por ele três vezes, cada vez com maior ênfase. “Há algo nisso, rapaz”, o senhor disse para si mesmo. Certamente havia, e no tempo determinado esse “algo” foi visto.
Qualquer Esquina Era Seu Púlpito
Quando Deus precisa de um homem para o Seu serviço Ele sabe onde procurá-lo. Ele observa o campo. Ele vê a necessidade. Ele escolhe o homem. Ele chamou Eliseu do arado, Amós do rebanho. Pedro do barco de pesca nas margens do Mar da Galiléia, e John Harper da indústria de papel. E quando Deus coloca um homem num cargo, ninguém pode “demiti-lo”. Um lugar será encontrado para ele quando o dom e o chamado de Deus se manifestarem, e se não houver lugar para ele na igreja até que seja provado, testado e confirmado, Deus encontrará para ele um local de serviço para manifestar Seu chamado divino.
No serviço de Deus os cooperadores são sempre necessários, homens que estejam dispostos a trabalhar e sofrer, gastar e serem gastos, suportar repreensão e passar por dificuldades como bons soldados de Jesus Cristo. John Harper era um cooperador — um cooperador de Deus (1 Coríntios 3.9), um homem que se dedicava de coração, alma, força e mente a todo serviço que prestava. No inicio da sua carreira não sonhava com o púlpito da igreja. Se visse uma esquina vazia, seja qual fosse o lugar, ele a enchia de ouvintes. Esse era o seu púlpito, e fazia proveito dele. Por toda a região onde vivia, depois de receber o revestimento especial de poder do alto, saiu pregando a história da graça redentora. Bridge-of-Weir, Kilbarchan, Elderslie, Johnstone, Linwood., e outros lugares o encontravam à noite depois do dia de trabalho terminar, proclamando com esperança vigorosa a história do amor de Deus aos homens. Seu coração estava incandescente. Uma coisa ele fazia então, e a fez até o fim — ele se esforçava para trazer homens do pecado para Deus.
Essa é uma obra que deve continuar, “a história deve ser proclamada.” Os que estão afastados do Senhor devem ser encontrados, avisados, convidados, e convencidos a abandonar o pecado e seguir a Cristo. Se um dos servos de Deus é levado, alguém deve estar atento ao chamado divino para se apresentar e preencher o espaço vazio. Não para servir necessariamente na mesma área, mas para manter o testemunho vivo. O número de testemunhas não deve diminuir. Hoje o mundo precisa do Evangelho tanto quanto antes. O coração de Deus bate tão forte quanto antes. O sangue de Jesus é tão eficaz quanto antes. O Espírito de Deus está tão presente quanto antes, mas infelizmente deve estar tão entristecido que o Seu poder é menos evidente do que deveria ser. Haverá trabalho enquanto é dia. Este é o dia da salvação. A noite vem, em que nenhum homem poderá trabalhar.
“É Maravilhoso Ser Enviado de Deus”
Depois de cinco ou seis anos de dedicação, serviço evangelístico constante, esforço na fábrica durante o dia e à noite nos distritos rurais em redor convidando homens a se prepararem para o encontro com Deus, o reverendo E. A. Carter da Missão Pioneira Batista de Londres “descobriu” o jovem pregador e o liberou para dedicar todo o seu tempo e toda a sua energia à obra que tanto amava. Com o patrocínio da Missão, uma obra Batista foi iniciada em Govan, um dos subúrbios de Glasgow, onde havia bastante espaço para um trabalho ativo.
Durante algum tempo, cultos evangelístícos foram realizados, depois uma igreja foi formada. O culto de inauguração foi dirigido pelo pastor J. B. Frame, e no dia seguinte um sermão foi pregado pelo Reitor MacGregor da Faculdade Dunoon sobre as palavras: “Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João” (João 1.6). A passagem deve ter provocado sorrisos, mas era muito adequada à ocasião. Naquele salão estava um homem que sem dúvida alguma, como resultados futuros provaram, foi enviado por Deus, e seu nome era João (John). É maravilhoso ser enviado de Deus. As referências que tinha consigo eram os sinais de que Deus já o moldara. Ele não tinha outras. Mas essas eram suficientes para incentivar a certeza de que Deus o enviara.
Apesar de jovem na idade, ele já tinha um histórico confiável. O selo de Deus foi colocado na sua obra nos diversos lugares onde ele deu um bom testemunho, e agora em meio a uma multidão acreditava-se que seria mais útil do que nunca. Essas esperanças não foram desmentidas. Quando Deus envia um homem Ele proporciona toda a graça necessária. Ele não deixa nada de bom faltar para aqueles que andam corretamente no caminho da obra à qual Ele os chama. Homens enviados por Deus com uma mensagem do Evangelho são guardiões de um poder que converte pecadores do erro dos seus caminhos.
Mas se os homens saem antes de Deus enviá-los, tais resultados não aparecem. Na época de Jeremias, Deus reclamou através dele daqueles que “falam as visões do seu coração, não o que vem da boca do Senhor”
(Jeremias 23.16). Sobre eles disse: “Não mandei esses profetas; todavia, eles foram correndo, não lhes falei a eles, contudo, profetizaram. Mas, se tivessem estado no meu conselho, então, teriam feito ouvir as minhas palavras ao meu povo e o teriam feito voltar do seu mau caminho e da maldade das suas ações” (Jeremias 23.21-22). Essa é uma descrição dos homens que não são enviados. Eles não estão no conselho de Deus. Não afastam as pessoas dos seus maus caminhos, e das suas ações malignas.
Um homem enviado por Deus proclamará a Palavra de Deus. Não declarará uma visão do seu próprio coração. O resultado será que os homens abandonarão seus caminhos maus, e se prostrarão em arrependimento e adoração aos pés dEle, que foi crucificado, mas que agora é o Salvador glorificado. Sob John Harper os homens abandonaram seus caminhos maus e suas obras más. Eles renegaram a impureza e seguiram a santidade sem a qual ninguém verá o Senhor.
Poderia parecer um evento sem importância para alguns a consagração daquele jovem para o ministério de Deus naquele dia. Mas centenas e centenas de pessoas têm razão para agradecer a Deus por terem visto sua face, ou ouvido sua voz. Durante cerca de dezoito meses ele se esforçou sem cessar em Govan, trabalhando, orando, pregando, convidando, tocando os corações e as vidas de alguns com seus apelos sinceros, e reunindo à sua volta um pequeno grupo de homens e mulheres que viram nele as marcas de um homem enviado por Deus.
“Pregando Tudo o que Tinha Direito”
No início do seu trabalho em Govan um dos membros de um conjunto evangelístico foi enviado como representante da cidade para falar num culto missionário em Govan. Quando chegou no cruzamento de Govan, ele viu um jovem de pé “pregando tudo o que tinha direito”. “Quem é’?”, perguntou a um homem que estava com ele. “Esse é o pastor da Missão Batista”, foi a resposta. A impressão que ficou naquela noite, reforçada mais tarde com conhecimento maior do jovem que estava “pregando tudo o que tinha direito”, segundo ele, levou-o a participar da igreja quando ela foi formada, e fez dele um dos amigos mais leais do Sr. Harper.
Depois de um ano e meio de trabalho em Govan, Harper mudou-se para Gordon Halls, na rua Paisley. Neste lugar, no dia 5 de setembro de 1897, formou-se uma igreja com 25 membros, alguns dos quais vieram com ele de Govan. A igreja foi chamada de Igreja Batista de Paisley Road, o nome que ainda tem. Mas foi sugerido que deveria chamar-se Igreja Memorial Harper (e agora ela é conhecida assim).
Homens e mulheres de todas as idades juntaram-se ao jovem pastor, e sob a sua liderança, a obra foi feita sem formalidades. Em todos os cultos na igreja fazia-se o máximo para ganhar homens para Cristo. Do lado de fora, eram feitas pregações nas esquinas, nos portões de prédios públicos durante as refeições, e sempre que houvesse alguém para ouvir. A rede era lançada para todos os lados. O zelo e o entusiasmo dos obreiros pareciam ilimitados. Almas foram ganhas, a causa prosperava, o número de membros aumentava. A fé que age pelo amor e é radiante de esperança, animou os obreiros, e os levou de vitória em vitória sobre as forças da incredulidade.
Depois de quatro anos em Gordon Halls, um terreno foi adquirido no distrito de Plantation, e um galpão de ferro, com capacidade para quinhentas ou seiscentas pessoas, foi erguido. A obra foi transferida, tendo esse local como centro, e do lado de dentro foram vistas maravilhas do poder redentor de Deus. Uma fonte contínua de misericórdia para perdoar jorrava nos cultos, e há seis anos atrás o prédio teve que ser ampliado para dar espaço para as exigências crescentes da obra. Ele fica no meio de uma população densa de trabalhadores. Ninguém, por mais próximo da obra realizada jamais poderá saber completamente quanto bem foi realizado pelo ministério de John Harper.
“Aquele Homem, o Sr. Harper, Estava Pregando na Esquina, e Eu Aceitei Jesus”
O superintendente de um grande salão evangelístico em Glasgow estava visitando há algum tempo atrás um homem idoso em High Street, a duas milhas de distâneia da Igreja de Paisley Road. Perguntaram ao homem, que tinha 80 anos, se ele confiava em Jesus. Imediatamente ele respondeu que sim. Quando perguntaram há quanto tempo ele confiava no Salvador, ele disse: “Nove anos”. “Quantos anos você tinha, então?” “Tinha acabado de fazer 70 anos”. “E como isso aconteceu?” “Bem, eu estava passando em Plantation, e aquele homem, o Sr. Harper, estava pregando na esquina, e eu aceitei Jesus ali mesmo”. Dentro e nos arredores do distrito onde a igreja se situava, muitas casas foram abençoadas, iluminadas, transformadas, pela pregação do servo do Senhor, cujo fim tantos lamentam. A igreja que foi formada com 25 membros tinha quase 500 membros quando, depois de 13 anos de trabalho, ele foi, em setembro de 1910, assumir os deveres do pastorado na Igreja de Walworth Road em Londres. O culto de despedida foi inesquecível. O galpão de ferro, que tinha lugar para 900 pessoas, fora muito pequeno para acomodar todos os que queriam assistir ao culto, e o espaço de uma grande igreja na vizinhança foi graciosamente cedido para a ocasião. Ela ficou lotada.
Uma Dedicação Intensa
Ele sempre foi um pregador fervoroso. Nunca foi superficial. Nunca foi um mero falador. Ele sempre foi um homem que fixava seu olhar na necessidade de almas preciosas. Mas durante os últimos anos do seu ministério em Glasgow, a sua pregação parecia alcançar um novo patamar. Havia uma dedicação intensa que crescia com o passar dos anos. Seu poder de pregação certas vezes tinha algo extraordinário. Não era simplesmente quando fazia o apelo para os incrédulos se reconciliarem com Deus, mas também quando exortava os filhos de Deus a coisas maiores. Sem dúvida, como aqueles dentre nós que o conheciam podem testemunhar, o desejo fervoroso e impetuoso que se expressava nas suas pregações públicas brotava das horas prolongadas de oração a que ele se dedicava. Ele era antes de mais nada um homem de oração. Quase um mês antes da sua morte, quando estava em Glasgow para uma visita, ele passou meia hora tomando chá com alguns de nós, e a última palavra que lembramos ter dito foi que a necessidade de hoje era uma vida de oração mais intensa.
Seu breve ministério em Walworth Road foi claramente abençoado por Deus. Melhoras foram feitas. O número de membros da igreja aumentou. Tudo parecia prometedor. Novos laços de interesse se formaram. Novas amizades foram feitas. Então veio o convite para dirigir cultos especiais na Igreja Moody em Chicago durante o inverno passado. Referências ao trabalho notável aparecem nas últimas páginas deste livro.
Quando voltou para Londres em janeiro, não se achava que ele concordaria em fazer outra visita tão cedo como programou. Mas ele iria “no começo de abril”, nos disse duas semanas antes de partir. “Por que vai voltar já’? Certamente não é para dirigir cultos especiais novamente?”… “Oh, não”, ele disse: “eu vou dirigir os cultos normais na Igreja Moody, e falar em conferências e outras reuniões em outros lugares”. Cheio de esperanças ele embarcou no desventurado navio, e no caminho encontrou o seu fim. E isso que devemos dizer? Não é melhor dizermos que ele encontrou o seu Senhor no caminho?
Naquela noite de domingo, apenas uma hora ou duas antes do Titanic colidir com o iceberg, ele olhou para o céu e vendo um brilho vermelho no oeste, disse: “Vai fazer um belo dia amanhã”. Sim, faria, mas a beleza que ele veria não era aquela à qual se referia quando disse essas palavras. Ele veria a beleza do Salvador.
Depois de pouco tempo de casado, ele perdeu a sua esposa no começo de 1906. Sua filhinha, Nana, agora tem seis anos e alguns meses. A bênção do Senhor certamente estará sobre aquela menininha órfã. “Pai dos órfãos… é Deus em sua santa morada” (Salmo 68.5).
Fonte: IRCV
Para ficar super bem informado de tudo que acontecerá aqui, deixe seus contatos no formulário abaixo.
Nós temos 665 visitantes online