“E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam.” (Atos 16.25.)
Para nós é muito mais fácil buscar ou conversar com Deus quando tudo em nossa vida está indo bem do que quando alguma coisa "diferente" acontece, não é mesmo? Parece ser mais fácil, mais prazeiroso, menos complicado agradecer a Deus por algo bom ter acontecido do que estar buscando respostas para algo que não fazia parte dos nossos planos. E mesmo cumprindo a vontade de Deus nós corremos o risco de sermos mal interpretados e sermos expostos diante de alguma adversidade que pode chegar até nós. Só para lembrar das últimas palavras que foram ministradas aqui, o dia da angústia e o dia das más notícias também fazem parte da nossa história, e isso não é para quem está em pecado, acontece com todos, inclusive comigo e com você.
O capítulo 16 de Atos, mostra Paulo tendo uma visão (v.9) que o levou a concluir que Deus desejava usá-lo na Macedônia. Ele e Silas em obediência - diga comigo "obediência" - partiram para lá e durante o tempo em que lá estiveram se dedicaram a oração, pregação do evangelho e batismos (v.13-15). E ainda libertaram uma jovem (v. 16-23) de espírito de adivinhação. O fato de terem sido usados por Deus acabou gerando ira no meio do povo que vivia enganado e que explorava as pessoas e o resultado foi Paulo e Silas sendo presos (v.16-23).
Deixa eu te dizer uma coisa meu amado irmão: toda vez que você estiver fazendo a vontade de Deus vai ter alguém com raiva de você!!!! Entende agora porque quando você chega no trabalho, ou em casa, ou na escola, o povo fica de cara amarrada???
Podemos definir que prisão é um lugar (ou situação) que dificulta a movimentação e de onde não conseguimos sair sozinhos. Você se encaixa nisto? Você está em uma prisão?
A Bíblia traz muitas promessas. Uma delas é que neste mundo passaríamos por aflições (Jo 16.33). Porém é melhor que passemos por essas aflições fazendo a vontade de Deus (1Pe 3.17). Paulo e Silas estavam totalmente no centro da vontade de Deus. E sabe onde? É isso mesmo, fazendo a vontade de Deus na prisão.
Eu já estive em muitas “prisões”. Mesmo fazendo a vontade de Deus. Situações que envolvem injustiça, calúnias, difamação, solidão etc. Passamos por uma ou outra prisão em algum tempo da nossa história.
Paulo e Silas estavam vivendo esse momento. O que me chama a atenção é o comportamento deles. Totalmente presos (até seus pés estavam amarrados a um tronco (v. 24), mas seus corações estavam livres. A limitação humana deles era total, mas suas almas estavam voando alto!
Dentro daquela prisão, o que eles fizeram? Oraram! Você tem orado em meio às suas provações? Podemos pedir oração a quem quisermos, mas precisamos pagar nosso próprio preço de clamar a Deus (1Ts 5.17). Também louvaram a Deus. Você tem conseguido cantar? A Bíblia nos encoraja a manter uma atitude contínua de adoração em períodos de espera (Sl 71.14). E mais, fica nítido que eles mantiveram a comunhão um com o outro. O que nos leva a refletir sobre o que eles não fizeram na prisão. Nós não vemos Silas dizendo “Paulo, sua boca grande nos trouxe aqui”. Eles não se acusaram, não murmuraram, não negaram Jesus, não blasfemaram. Eles não perderam a cabeça!
Jesus foi claro: Seremos provados. Provas são testes. E a exemplo da escola, espiritualmente elas têm hora para começar e terminar. Vamos sair de toda provação. A questão é se sairemos aprovados ou reprovados. E isso será determinado pelo fruto que produzimos lá. E me deixe compartilhar com você uma outra coisa: é possível gerar frutos no tempo das nossas prisões!
Além de sermos vistos por Deus somos também observados pelas pessoas. Os presos escutavam as orações e os louvores de Paulo e Silas. E não ouviam qualquer discussão entre eles. O que Deus (e as pessoas) têm escutado sair de nossas bocas nos tempos de provação? O que tem sido visto em nós nesses dias? Qual tem sido nosso testemunho diante das lutas? Qual exemplo temos dado para os nossos filhos, amigos, colegas de trabalho quando as coisas não vão bem?
Sei que quando alguém nos faz qualquer tipo de mal, o impulso é esbravejar toda a ira. Que quando Deus parece indiferente às nossas dores, sobra até para Ele nossa amargura. Mas sei também que nenhuma tentação justifica nossa queda, uma vez que elas não vão além das nossas forças (1Co 10.13).
Você sairá da prisão. Sua provação terá fim. Mas qual será o saldo da sua experiência? Aquele que confia no Senhor, mesmo no “ano de sequidão” não para de dar frutos (Jr 17.7,8). Podemos frutificar nos dias mais difíceis da nossa vida! Você pode estar passando por grandes adversidades, mas não esqueça que você pode frutificar.
Prova na escola é assim: não passou, tem que repetir. Re-estudar toda a matéria! Israel entende bem disso. Um percurso que poderia ter sido feito em meses, o foi em 40 anos por causa dos desvios de Deus a cada pequena dificuldade.
Eu não tenho escolha se vou ser provado, mas ser aprovado depende de mim.
Nos dias mais difíceis de sua história, não espante as pessoas com um mau testemunho cheio de amargura e ressentimento. Seja como Paulo e Silas, atraia pessoas, gere fé, adore e louve, mostre que sua confiança não está baseada nas circunstancias e sim Naquele que pode todas as coisas.
A resposta será poderosa: “E de repente sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e foram soltas as prisões de todos.” (Atos 16.26.)
Chaves para abrir prisões não estão nas mãos dos homens comuns, elas se encontram em poder de homens que sabem o que fazer na hora da angústia.
Saia já daí nessa noite. Essa prisão é só um pretexto para acontecer um grande terremoto em sua vida.
Deus lhe abençoe
Pastor Marcio Rocha, prisioneiro do amor de Cristo


