Você alguma vez fez essa pergunta?
Há uma questão especial sobre a qual você tem orado durante muito tempo, sem resposta aparente à vista? Há momentos em que você se pergunta se a resposta ainda virá? Você tem honestamente feito tudo o que sabe fazer? Cumpriu cada requisito da oração? Chorou, jejuou, e fervorosamente pediu a Deus com verdadeira fé? – e ainda assim parece que nada acontece? Se você respondeu sim à todas as perguntas, está em boa companhia. Você não é um tipo estranho de cristão sofrendo castigo do Senhor. A resposta demorada à oração é uma das experiências mais comuns compartilhadas até mesmo pelos mais santos filhos de Deus.§
Agradeço a Deus pelos ministros e mestres que pregam a fé. Faço isso! Graças a Deus pelos mestres que incitam minha alma a esperar milagres e respostas a todas minhas orações. Talvez a igreja tenha se tornado tão infiel e descrente, que Deus tenha que irromper em nós com uma nova e original revelação de Suas poderosas promessas. Há muito ensinamento novo hoje sobre “fazer a confissão correta”. E o povo de Deus também está sendo aconselhado a pensar positivamente e a afirmar todas as promessas de Deus. Dizem que devemos nos livrar de todos os ressentimentos escondidos – corrigir todos os nossos erros, mesmo os da infância. Ultimamente se ensina que a maioria de nossas orações sem resposta, das doenças prolongadas, da incapacidade em influenciar Deus a nosso favor é resultado direto do mau manejo de nossa fé. Como um mestre de fé expressou, “A fé é como uma torneira; você pode abrir ou fechar”.
Tudo soa tão simples. Você necessita de um milagre financeiro em sua vida? Então, dizem eles, simplesmente livre sua vida de todos os obstáculos, ressentimentos, e incredulidade – confesse que já recebeu a resposta pela fé, e a obterá. Quer que o marido de quem você se divorciou retorne para uma reconciliação? Confesse – imagine que está acontecendo – crie a imagem mental de uma bela reunião – e ele é todo seu. Há algum ente querido às portas da morte? Então avise a Deus que você não aceitará um não como resposta; lembre-O de Suas promessas; admita a cura, e ela acontecerá – assim nos ensinam. E se sua oração não for respondida; se o marido permanece fora meses a fio; se o ente querido doente morre; se a necessidade financeira se torna uma crise – então se insinua que é tudo por sua culpa. Ou seja, sugere-se que em algum momento, você permitiu que um pensamento negativo bloqueasse o canal. Ou, tinha um pecado ou ressentimento secreto não abandonado. Sua confissão não foi de acordo com as escrituras ou então foi falsa. Um mestre de fé escreveu, “Se você não obteve os mesmos resultados que eu, então não fez tudo que eu fiz!”.
Não Estou Brincando, Eu Acredito Que Deus Responde as Orações
Oh, como acredito nisso! Mas meu escritório recebe cartas trágicas de cristãos honestos que estão totalmente confusos e desanimados porque parece que não conseguem fazer todas estas novas fórmulas de oração e fé funcionarem. “O que há de errado comigo?”, escreve uma perturbada senhora. “Pesquisei meu coração e confessei cada pecado. Amarrei todos os poderes demoníacos pela palavra de Deus. Jejuei; orei; confessei as promessas – mas ainda assim, não vi resposta. Devo ser espiritualmente cega, ou estou fazendo tudo errado”.
Acredite, há milhares de cristãos confusos de um lado a outro deste país que se condenam por não serem capazes de produzir resposta à uma oração desesperada. Sabem que a palavra de Deus é verdadeira, que nem uma única promessa pode falhar, que Deus é fiel de geração em geração, que Ele é bom e quer que Seus filhos esperem respostas às orações. Mas para eles, existe aquela oração que fica sem resposta – infinitamente. Então eles se culpam. Escutam as fitas de professores e pastores que falam de maneira tão poderosa e positiva sobre as respostas que recebem em conseqüência da fé. E ouvem os testemunhos de outros que têm uma fórmula toda elaborada, e que agora recebem tudo que pedem a Deus. Então olham para sua própria incapacidade e a condenação os oprime.
Vou Abrir a Alma a Você Nesta Questão de Oração Sem Resposta.
Antes de tudo, respeito e amo todos os mestres e ministros de fé e confissão positiva. São grandes homens e mulheres de Deus. Precisamos desesperadamente ser lembrados quanto ao poder da fé e quanto ao pensamento apropriado. É tudo muito bíblico, e os que resistem ou negam tal ensino provavelmente nunca gastaram tempo para ouvir o que verdadeiramente está sendo ensinado. Mas há um problema maior. O vagão da fé está se movendo a toda velocidade com rodas não balanceadas. E se continuar se movendo na direção que agora vai, sem equilíbrio, irá se desgovernar, e muitas pessoas confiantes se machucarão. Algumas já estão desistindo, porque acabaram escravizadas aos ensinos de fé que sugerem que todas as orações sem resposta são resultado do erro humano. Em outras palavras, se não funcionou – é porque você fez algo errado – então, continue tentando até acertar.
Não se pode alimentar a fé apenas com promessas tipo “self service” de cura, riqueza, êxito, e prosperidade – mais do que poderá se fortalecer e ficar saudável comendo apenas sobremesa. A fé vem pelo ouvir “toda a Palavra” – não apenas as porções preferidas.
E as verdades da Bíblia que falam do sofrimento que ensina obediência? Como Jesus, aprendemos obediência pelas coisas que sofremos (Hebreus 5:8). Há tantas passagens das escrituras sobre sofrimento quanto há sobre fé.
Nossa fé não deve ter medo de investigar as passagens da Bíblia que lidam com a demora de Deus, Seus períodos de silêncio, e mesmo Sua soberania – quando Ele age sem dar ao homem uma explicação.
Paulo Adverte Que A Fé Não Deve Vir Sozinha.
Ele diz, “Some à fé a virtude, conhecimento, domínio próprio, moderação, paciência, etc…”. A fé sem paciência, virtude e domínio próprio torna-se centrada em si mesma e desequilibrada.
Nem todas as doenças são causadas por demônios ou espíritos malignos. A maioria delas são causadas por falta de domínio próprio, gula, e maus hábitos. Esta geração que arrota empanturrada, se farta de montanhas de guloseimas sem valor nutritivo, sobremesas, e bebidas envenenadas – e então, quando o corpo fica enfraquecido e golpeado pela doença, corremos em pânico à Palavra de Deus à procura de uma panacéia rápida. Faremos qualquer coisa para sermos curados – exceto praticar domínio próprio e moderação. E mesmo que Deus, na Sua misericórdia, muitas vezes prevaleça sobre nossa conduta de autoperdão e cure nossos corpos, necessitamos investir em nossa fé com algum domínio próprio.
Há momentos na Bíblia que Deus não podia, ou não queria responder, não importando quantas vezes fosse pedido – não importando quão grande fosse a fé ou positiva a confissão. Paulo não foi liberto da aflição que o esbofeteava, embora tenha suplicado diligentemente por uma resposta. “Por causa disto três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim.” (2 Coríntios 12:7-8).
Deus queria ver a obra da graça completada em Paulo primeiro. Ele não permitiria que Seu filho se tornasse inchado de orgulho. Ele não se regozijaria numa libertação – mas em aprender como o poder de Deus pode ser seu nos momentos de fraqueza. Mas veja o que isso operou em Paulo, provando que Deus estava correto em não responder sua petição:
“De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então sou forte” (2 Coríntios 12:9,10).
Será que faltava fé a Paulo? Será que ele estava cheio de pensamentos negativos? Confissão errada? Por que Paulo não pregou a mensagem que tanto ouvimos hoje: “Você não tem que sofrer enfermidade, pobreza, dor, angústia. Não tem de passar necessidade nem fraqueza. Reivindique a vitória sobre o sofrimento e a dor.”?
Paulo queria mais que cura, mais que êxito, mais que libertação dos espinhos cheios de pontas – ele queria Cristo! Paulo preferia sofrer a resistir ao que Deus ordenava. E é por isso que ele podia gritar, “Me glorio em minha situação atual – Deus está agindo em mim através de tudo que eu sofro. E por tudo isso, sei que meu sofrimento presente não pode ser comparado à glória que me espera”.
Nós Abusamos de Nossas Respostas.
Nós nos tornamos ingratos, e freqüentemente transformamos nossa libertação em desastre. Isso foi o que aconteceu a Ezequias. Deus enviou um profeta para adverti-lo que estivesse preparado para morrer, dizendo, “Porque morrerás, e não viverás”. Ezequias chorou, arrependeu-se, e implorou a Deus que acrescentasse quinze anos. Deus concedeu sua oração. Foi dada nova concessão de vida. No primeiro ano da prorrogação de vida ele se comprometeu, expondo Israel a reis inimigos. Trouxe desastre sobre sua família e sua nação.
Há outras vezes que Deus se recusa a responder nosso pedido de oração, porque tem “um jeito melhor.” Responderá, certamente, mas não reconheceremos como tal. Veremos isso como rejeição – mas, através disso, Deus estará realizando Sua perfeita vontade. Encontramos este princípio em ação quando Israel estava sendo levado cativo à terra dos caldeus. “Que desastre,” choraram. “Deus rejeitou nossas orações; estamos abandonados. Deus se fez de surdo.” Os que foram deixados em Jerusalém encheram-se de orgulho pensando que Deus tinha ouvido sua oração, e os tinha abençoado por permitir que permanecessem lá. Mas esses que permaneceram foram totalmente destruídos por espada, fome e peste, até que fossem todos consumidos (Jeremias 24:10).
Mas aos que foram tomados como cativos foi dito que o grupo “Foi enviado fora deste lugar na terra dos caldeus para seu bem.” (Jeremias 24:5). Eles nunca reconheceram Deus em ação, conservando um remanescente, mas esses que foram “poupados através do sofrimento” retornaram para reconstruir a terra.
Algumas Das Minhas Orações Ainda Não Foram Respondidas
A Bíblia diz, “Confissão sincera é bom para a alma”. Confesso a você que ainda não recebi respostas à duas orações que tenho feito durante anos. Já ouço alguém dizendo, “Irmão David, não faça isso! É negativo! Isto é confissão errada. Não é de se admirar que ainda não tenha tido as duas respostas!”. Mais me divirto que me magôo com tais comentários. Recuso-me a ignorar os fatos. Os fatos são que eu sinceramente tenho orado sobre estas duas questões. Me apropriei de cada promessa da Bíblia – tenho a confiança de que Deus é capaz de fazer tudo – tenho dado ao meu bendito Senhor uma fé capaz de mover montanhas! No entanto, os anos se passam, e eu não vi respostas. Milhares de minhas orações foram atendidas. Vejo respostas às minhas orações a cada dia de minha vida. Deus faz milagres a meu favor, a cada momento de vida. Mas essas duas orações ainda não foram respondidas.
Deixarei os peritos em oração e fé tentarem analisar as razões destas orações não terem sido respondidas – mas, quanto a mim, não estou nem um pouco preocupado com isto. Passei já por tudo que tenha a ver com autocondenação. Já me culpei o suficiente por não receber resposta quando a desejava. Deus está trazendo equilíbrio para a minha fé! Minha confissão positiva está sendo redirecionada para a direção correta. E que alegria e liberdade quando a sua fé em Deus não depende só de obter respostas. Que libertação quando sua fé se concentra só em Jesus e em receber o Seu caráter santo.
Será que as Minhas Orações Algum Dia Serão Respondidas?
Acredito no tempo do Espírito Santo. No tempo do próprio Deus, todas as nossas orações serão respondidas de uma maneira ou de outra. O problema é que temos medo de submeter nossas orações ao escrutínio do Espírito Santo. Parte de nossas orações necessita ser depurada. Parte de nossa fé é desperdiçada em petições que não estão amadurecidas.
Estamos tão convencidos de que se nossa petição estiver “de acordo com a vontade dEle, devemos obtê-la”. Nós simplesmente não sabemos como orar “Seja feita a Tua vontade!”. Não queremos a Sua vontade tanto quanto as coisas permitidas por Sua vontade. O único teste que exigimos para as nossas orações é bastante egoísta, ou seja: “Será que dá para achar isto no catálogo das coisas permitidas por Deus?”. Então podemos pesquisar toda a palavra de Deus, e espertamente expomos as razões pelas quais nos devem ser concedidas certas bênçãos e respostas. Combinamos as promessas para se ajustarem às nossas petições específicas. Quando estamos convencidos de que a documentação está boa, e já juntamos um número suficiente de promessas, marchamos intrepidamente à presença de Deus como se dizendo, “Senhor, estou num aperto tremendo. De modo algum Tu podes me abandonar. Verifiquei a minha fé. Busquei em Sua palavra este assunto. Fiz tudo de acordo com o plano. Isso é meu! Reivindico-o! Agora mesmo!”.
A Fé é só Isso? Simplesmente Uma Ferramenta Para Bisbilhotar os Benefícios das Promessas de Deus?
Um desafio à fidelidade de Deus? Uma prova à Sua palavra? Uma chave para destrancar a sala de bênçãos do Senhor? Parece-me que marchamos para a sala do trono do Deus com as bandeiras de fé tremulando, armados com um arsenal de promessas, prontos para violentamente reivindicar tudo que nos é devido. O tempo todo imaginamos nosso Pai aprovando e felicitando-nos por desvendarmos o mistério da fé e, portanto dando-nos o direito às recompensas do céu.
Até que Deus reestruture nossos desejos e ambições, nós continuaremos a desperdiçar nossa preciosa fé em coisas criadas, ao invés de no Criador. O quanto a nossa fé se torna covarde e corrupta quando é utilizada simplesmente para adquirir coisas. Que tragédia nos vangloriarmos que a fé tenha produzido para nós um carro novo, um avião, tranqüilidade financeira, uma nova casa, etc.
A fé é uma forma de pensamento – se bem que positivo, o pensamento divino. Mas Jesus advertiu-nos a nem pensarmos em coisas materiais. “Apenas os gentios (ímpios) procuram estas coisas”. Como Jesus é claro em relação a esse assunto: “Por isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir… pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas estas coisas” (Mateus 6:26, 32).
Mesmo o mau prospera às vezes – e não se pode dizer que foi a fé que produziu isso. Deus faz chover Seu amor e bênçãos tanto sobre o justo como sobre o injusto. Mostre-me um cristão prosperando, e eu lhe mostrarei um réprobo prosperando ainda mais.
Abomino a Idéia de Ensinar aos Cristãos Sobre Como Usar a Fé Para se Tornarem Prósperos ou Bem Sucedidos.
Isso contraria os ensinamentos do humilde nazareno que apelou para que Seus seguidores vendessem tudo e dessem aos pobres. Fez advertências contra a construção de celeiros, e deplorou a fome consumista pelos bens materiais. Ele não tinha tempo para os que armazenavam tesouros aqui na terra. Ensinou que Seus filhos não devem se envolver com a ilusão das riquezas, mas que a fé deveria fixar nossa afeição nas coisas lá do alto.
Como pode acontecer que, considerando todos os ensinamentos que temos hoje a respeito da fé, Jesus pudesse dizer, “.quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18:8)? Será que Jesus considera a marca de fé moderna como não caracterizando realmente fé? Será que a nossa assim chamada é fé tão egoísta que está tornando-se uma abominação ao Senhor? Não importa quantas passagens da Bíblia são citadas para apoiá-la, a fé que compraz a si mesma é uma deturpação da verdade.
Compare a fé materialista tão predominante hoje com a fé descrita em Hebreus 11! As coisas esperadas por estes grandes homens e mulheres de Deus não podiam ser medidas por qualquer padrão terreno. A substância que eles procuravam não era dinheiro, casas, êxito, nem uma vida livre da dor. Exercitavam a fé para ganhar a aprovação de Deus nas suas vidas. A fé de Abel focalizava apenas a justiça, e Deus o premiou com ela. A fé de Enoque era tão direcionada para Deus, que foi trasladado; sua fé tinha uma única intenção – conhecer e agradar Deus. Fé para Noé significava “mover-se com temor” preparando-se para o julgamento à vista. Como esse homem choraria se pudesse testemunhar a loucura de materialismo que aprisiona a nossa geração.
Abraão exercitou sua fé para mantê-lo lembrado de que era um estrangeiro na terra. Seu pacto de bênção nesta terra resulta apenas em uma tenda para morar, porque pôs toda sua fé naquela cidade cujo construtor e criador é Deus.
Alguns que tinham reputação de ter grande fé “não receberam a promessa” (Hebreus 11:39). Os que “obtiveram as promessas” usaram a fé para exercer a retidão, a fim de ganhar força nos momentos de fraqueza e afugentar o inimigo.
Será que Alguns Deles Não Estavam Vivendo na Fé? Será que Deus se Recusou a Responder Algumas de Suas Orações?
Afinal de contas, nem todos estes guerreiros da oração e da fé foram libertos. Nem todos viveram para ver a resposta de suas orações. Nem todos foram poupados da dor, do sofrimento, e mesmo da morte. Alguns foram torturados; outros foram serrados ao meio, ficaram errantes no deserto, afligidos, atormentados (Hebreus 11:36-39).
Eram grandes homens e mulheres de fé e sofreram cruel escárnio, açoites, e encarceramento. Eles não foram afligidos e atormentados por causa da falta de fé, ou por confissão errônea -nem porque abrigaram rancor ou animosidade. Não poderiam estes homens de fé produzir mais do que pele de cabras para as costas? Será que não poderiam ter se levantado em fé para reivindicar aquela grande promessa de que nenhuma praga conseguiria chegar perto de sua habitação?
Oh caro amigo, o mundo não era digno destes santos de fé, porque tinham o tipo de fé que esmaga toda reivindicação da carne. Sua fé tinha um único olhar; consideravam todas as bênçãos de Deus como eternas e espirituais, ao invés de terrenas e do agora.
Sim, sei que o capítulo da fé termina dizendo, “Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito” (Hebreus 11:40). Mas como definiremos essa coisa melhor que Deus preparou para os que têm fé hoje? Beneficiar-se de melhor saúde? Melhores peles de cabra? Melhores reajustes financeiros? Tempos melhores de sossego e prosperidade? Melhores benefícios na velhice? Celeiros maiores, cheios com tudo que necessitamos para uma aposentadoria com estilo?
Não! Eu digo que Deus Providenciou Para Nós Algo Melhor no Seu Filho Unigênito.
Ele veio à terra como homem para nos mostrar uma fé maior e singular que é “fazer a vontade do Pai”. Deveríamos passar mais tempo compenetrando-nos em Jesus, do que tentando obter algo Dele. Não deveríamos estar orando para que Deus faça as coisas acontecerem para nós – mas em nós.
Aqueles que têm exercido sua fé para cura, bênçãos financeiras, soluções de problemas – deveriam, em vez disso, concentrar toda a fé em obter o “descanso em Cristo”. Há uma fé que descansa não na oração respondida, mas no entendimento de que o nosso Senhor fará o melhor para nós.
Não se preocupe se Deus está dizendo “Sim!” ou “Não!” à sua petição. Não fique abatido quando a resposta não está à vista. Deixe de pensar em fórmulas e métodos de fé. Apenas entregue toda oração a Jesus, e cuide das suas coisas com a confiança de que Ele não chegará nem um instante adiantado ou atrasado para responder. E se a resposta que procuramos não vier, que possamos dizer aos nossos corações, “Ele é tudo que eu necessito. Se eu necessitar de mais, Ele não me negará. Ele o fará a Seu tempo, a Seu modo, e se não realiza a minha petição, deve ter uma razão perfeita para não fazer isso. Aconteça o que acontecer, eu sempre terei fé na Sua fidelidade”.
Deus nos Livre de a Nossa Fé Servir à Criatura Em Vez de ao Criador.
Deus nos perdoa se estamos mais preocupados em conseguir a resposta às nossas orações, do que em aprender a submeter-nos totalmente ao próprio Cristo. Não aprendemos obediência pelas coisas que obtemos, mas pelas coisas que sofremos.
Você está disposto a aprender a obediência ao sofrer um pouquinho mais com o que parece ser uma oração sem resposta? Descansará você no Seu amor enquanto pacientemente espera pela promessa, depois de ter feito toda vontade do Pai?
Lance fora sua teologia e volte à simplicidade. A fé é um dom, não um diploma. A fé não deve ser um peso nem um quebra-cabeça. Quanto mais infantil for, melhor funcionará. Você não necessita de nenhum seminário ou manual – não necessita de nenhum guia. O Espírito Santo o dirigirá para mais perto de Jesus – que é a Palavra através de Quem vem a fé.
por: David Wilkerson
Fonte: Padom
Não existe oração errada. Aliás, a oração errada é aquela que não é feita. A Bíblia Sagrada ensina que se deve orar a respeito de tudo. Orar por qualquer motivo, qualquer hora, qualquer lugar, sempre que o coração não estiver em paz. Tão logo o coração experimente apreensão, preocupação, medo, angústia, enfim, seja perturbado por alguma coisa, a ação imediata de quem confia em Deus é a oração.
O apóstolo Paulo diz que não precisamos andar ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, com ação de graças, devemos apresentar nossos pedidos a Deus, tendo nas mãos a promessa de que a paz de Deus que excede todo o entendimento, guardará nossos sentimentos e pensamentos em Cristo Jesus (Filipenses 4.6,7). A expressão “coisa alguma” inclui desde uma vaga no estacionamento do shopping center quanto o fechamento de um negócio, o desejo de que não chova no dia da festa quanto a enfermidade de uma pessoa querida.
Esta experiência de oração é chamada de oração simples: orar sem censura filosófica ou teológica, orar sem se perguntar “é legítimo pedir isso a Deus?” ou “será que Deus se envolve nesse tipo de coisa?”. Simplesmente orar.
A garantia que temos quando oramos assim é a paz de Deus em nossos corações e mentes. A Bíblia não garante que Deus atenderá nossos pedidos exatamente como foram feitos: pode ser que a vaga no estacionamento não seja encontrada e que chova no dia da festa. A oração não se presta a fazer Deus trabalhar para nós, atendendo nossos caprichos e provendo o nosso conforto. Já que a causa da oração simples é a ansiedade, a resposta de Deus é a paz. O resultado da oração não é necessariamente a mudança da realidade a respeito da qual se ora, mas a mudança da pessoa que ora. A mudança da situação a respeito da qual se ora é uma possibilidade, a mudança do coração e da mente da pessoa que ora é uma realidade. Deus não prometeu dizer sim a todos os nossos pedidos, mas nos garantiu dar paz e nos conduzir à serenidade. Não prometeu nos livrar do vale da sombra da morte, mas nos garantiu que estaria lá conosco e nos conduziria em segurança através dele.
O maior fruto da oração não o atendimento do pedido ou da súplica, mas a maturidade crescente da pessoa que ora. Na verdade, a estatura espiritual de uma pessoa pode ser medida pelo conteúdo de suas orações. Assim como sabemos se nossos filhos estão crescendo observando o que nos pedem e o que esperam de nós, podemos avaliar nosso próprio crescimento espiritual através de nossos pedidos e súplicas a Deus. As orações revelam o que realmente ocupa nossos corações, o que realmente é objeto dos nossos desejos, o que nos amedronta, nos desestabiliza e nos rouba a paz.
O apóstolo Paulo diz que quando era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Mas quando se tornou homem, deixou para trás as coisas de menino (1Coríntios 13.11). Não existe oração certa e errada. Mas existe oração de menino e oração de homem. Oração de menina e oração de mulher. A diferença está no coração: coração de menino e de menina, ora como menino e menina. A nossa certeza é que Deus também gosta de crianças.
Fonte: IBAB
Não andeis ansiosos de coisa alguma. Em tudo, porém sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições pela oração e pela súplica com ações de graças.
Filipenses 4:6
Deus tem um propósito a realizar, mas ele precisa que o homem esteja disposto a orar, para que se estabeleça Sua vontade aqui na Terra, está é a função da oração, preparar um caminho para que Deus realize Sua vontade, assim como uma locomotiva necessita dos trilhos para andar, Deus necessita da oração do homem para levar adiante Sua vontade, sendo assim o homem deve fazer com que sua vontade seja unida com a vontade de Deus para que se estabeleçam seus designos, como podemos ver em 1 Jo 5:14-15 “E esta é a confiança que temos para com ele, que, se pedirmos alguma cousa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito.”, a oração tem como objetivo que nós venhamos a fazer com que a vontade de Deus se estabeleça aqui na terra, desta forma, devemos conhecer melhor a vontade de Deus, para que nossas orações sejam agradáveis a Deus e nossos propósitos sejam cumpridos.
A oração é o estabelecimento de um diálogo do homem com Deus, sendo que, devemos estar atentos a resposta de Deus, que vem através de nosso espírito ou através das circunstâncias exteriores. É através da oração que nós colocamos nossas ansiedades nas mãos de Deus, crendo que Ele é poderoso para nos dar paz interior, e resolver nossos problemas da melhor maneira possível para nosso crescimento espiritual. Quando somos iluminados por Deus, em nossa consciência, de nossos pecados, nós devemos imediatamente pedir perdão a Deus, através da oração, pedindo para sermos lavados pelo seu sangue, e nossos pecados seram perdoados.
Devemos estar sempre orando, para sermos guardados das tentativas de satanás de nos levar ao pecado. Podemos dizer que a oração é o nosso termômetro espiritual, quando nós não conseguimos orar, indica que não estamos bem espiritualmente. Devemos aprender a observar o falar divino, em nosso espírito, enquanto estamos orando, pois Deus se comunica conosco através de nossa intuição, que é uma das partes do nosso espírito, mas cabe a nós, utilizando o nosso conhecimento bíblico, discernirmos se é ou não de Deus este falar, pois o inimigo pode também tentar nos enganar, lançando pensamentos em nossa mente que sutilmente nos induziram ao pecado.
Vamos analisar o trecho da Bíblia mais importante sobre a oração, que se encontra em Mt 6:5-13:
5 E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.
6 Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.
7 E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.
8 Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais.
9 Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;
10 venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;
11 o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;
12 e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;
13 e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!
A oração não é algo formal, para atrair a atenção do homens, como faziam os fariseus, e por isso foram condenados (v. 5). Eles estavam acostumados a orar formalmente 18 vezes ao dia, segundo as leis herdadas dos antepassados, e observavam com rigor pontual os horários destinados à oração, onde quer que estivessem. Por isso, com freqüência eram obrigados a orar em público, e os judeus, admirados, sempre os surpreendiam em sua prática nas esquinas das ruas. A oração passou a ter , então, caráter de mero ritualismo, sem consistência espiritual, onde o que contava era a exterioridade sofisticada de palavras vazias para receber o louvor humano.
A oração também não é como a reza, uma repetição interminável de enunciados que não traduzem os sentimentos do coração (v. 7). Este era o costume dos gentios, adeptos das religiões politeístas, que horas a fio repetiam mecanicamente as mesmas palavras diante de seus deuses, o que mereceu a veemente reprovação do Senhor Jesus, pois o mesmo estava ocorrendo com os praticantes da religião judaica.
Afinal o que é a oração? A melhor definição encontra-se, é obvio, na Bíblia. Nenhum conceito teológico expressa com a mesma clareza e simplicidade o que ela significa. A oração é segundo as Escrituras, uma via de mão dupla através da qual o crente , com se clamor, chega à presença de Deus, e este vem ao seu encontro, com as respostas (Jr 33:3 ” Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.”). A oração é fruto espontâneo da consciência de um relacionamento pessoal com o Todo-Poderoso, onde não há espaço para o monólogo, pois quem ora não apenas fala, mas também precisa estar disposto a ouvir. É um diálogo onde o crente aprofunda sua comunhão com Deus e ambos conversam numa linguagem que tem como intérprete o Espírito Santo (Rm 8:26-27 “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.”) .
A Bíblia é o livro da oração . Suas páginas evocam grandes momentos da história humana que foram vividos em oração. Compare Js 10:12-15 “e os sidônios, e os amalequitas, e os maonitas vos oprimiam, e vós clamáveis a mim, não vos livrei eu das suas mãos? Contudo, vós me deixastes a mim e servistes a outros deuses, pelo que não vos livrarei mais. Ide e clamai aos deuses que escolhestes; eles que vos livrem no tempo do vosso aperto. Mas os filhos de Israel disseram ao SENHOR: Temos pecado; faze-nos tudo quanto te parecer bem; porém livra-nos ainda esta vez, te rogamos.;” e 2 Rs 6:17 “Orou Eliseu e disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O SENHOR abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu.”. Desde o seu primeiro livro, Gênesis, até Apocalipse, fica claro que orar é parte da natureza espiritual do ser humano, assim como a nutrição é parte do seu sistema fisiológico. Os grandes fatos escatológicos, como previstos no último livro da Bíblia, serão resultado das orações dos santos, que clamam a Deus ao longo dos séculos pelo cumprimento de sua justiça (Ap 5:8 “e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos,”; Ap 8:3-4 “Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, com um incensário de ouro, e foi-lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que se acha diante do trono; e da mão do anjo subiu à presença de Deus a fumaça do incenso, com as orações dos santos.”).
Orar não pode ser visto como ato de penitência para meramente subjugar a carne. Em nenhum momento a Bíblia traz esta ênfase. Oração não é castigo (assim como a leitura das Escrituras), idéia que alguns pais equivocadamente passam para os filhos, quando os ordena a orar como disciplina por alguma desobediência. Eles acabam criando uma verdadeira repulsa à vida de oração, desconhecendo o verdadeiro valor que ela representa para as suas vidas, por terem aprendido pela prática a reconhecê-la apenas como meio de castigo pessoal. Ao contrário, se aprenderem que orar é ato que eleva o espírito e brota de maneira espontânea do coração consciente de sua indispensabilidade, como ensina a Bíblia, saberão cultivar a oração como exercício de profunda amizade com Deus que resulta em crescimento espiritual (Cl 1:9 ” Por esta razão, também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual;”). De igual modo, o mesmo acontecerá conosco.
Podemos observar o valor da oração, observando os heróis da fé, descritos em Hebreus 11, que exercitam sua fé através da oração. Não só eles, mas outros personagens da Bíblia tiveram igual experiência. Abraão subiu ao monte Moriá, para o sacrifício de Isaque, porque seu nível de comunhão com Deus através da oração era tal que ele sabia tratar-se de uma prova de fé (Gn 22:5-8 “Então, disse a seus servos: Esperai aqui, com o jumento; eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós. Tomou Abraão a lenha do holocausto e a colocou sobre Isaque, seu filho; ele, porém, levava nas mãos o fogo e o cutelo. Assim, caminhavam ambos juntos. Quando Isaque disse a Abraão, seu pai: Meu pai! Respondeu Abraão: Eis-me aqui, meu filho! Perguntou-lhe Isaque: Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Respondeu Abraão: Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto; e seguiam ambos juntos.”). É o exemplo da oração que persevera e confia. Enoque vivênciou a oração de maneira tão intensa que a Bíblia o denomina como aquele que andava com Deus (Gn 5:24 “Andou Enoque com Deus e já não era, porque Deus o tomou para si.”). É o exemplo da oração em todo o tempo.
Moisés trocou a honra e a opulência dos palácios egípcios porque teve o privilégio de falar com o Senhor face a face e com ele manter íntima comunhão por toda a vida , ver Êx 3:1-22 e Ex 4:1-17, ele é o exemplo da oração que muda as circunstâncias. Entre os profetas destaca-se, Elias, cujo exemplo Tiago aproveita para ensinar que o crente sujeito às mesmas fraquezas, pode diante de Deus (Tg 5:17-18 “Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu. E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos.”). É o exemplo da oração que supera as deficiências humanas.
Esses heróis são as testemunhas mencionadas em Hb 12:1 “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta,”. Ou seja, se eles, que não viveram na dispensação do Espírito Santo, tiveram condições de viver de modo tão intenso na presença de Deus, quanto mais o crente, hoje, que conta com o auxílio permanente e direto do Espírito Santo, movendo-o para uma vida de oração. Todos os crentes necessitam, devem e podem ter mesma vida de oração que os santos da Bíblia e tantos outros que a história eclesiástica registra, como George Muller, João Hide, Lutero e Watman Nee.
O maior exemplo de oração, no entanto, foi o próprio Mestre. Sendo ele o Filho de Deus, cujos atributos divinos lhes asseguravam o direito de agir sobrenaturalmente, podia dispensar a oração como prática regular de sua vida. No entanto, ao humanizar-se, esvaziou-se de todas as prerrogativas da divindade e assumiu em plenitude a natureza humana (Fp 2:5-8 “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.”) experimentando todas as circunstâncias inerentes ao homem, inclusive a tentação (Hb 4:15 “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.”; Mt 4:1-11 “A seguir, foi Jesus levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. Então, o tentador, aproximando-se, lhe disse: Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães. Jesus, porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus. Então, o diabo o levou à Cidade Santa, colocou-o sobre o pináculo do templo e lhe disse: Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito que te guardem; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra. Respondeu-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor, teu Deus. Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto. Com isto, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram.”).
Ora, isto significa que o Senhor dependeu tanto da oração como qualquer outra pessoa que se proponha a servir integralmente a Deus. Ela foi o instrumento pelo qual pôde suportar as afrontas, não dar lugar ao pecado, tomar sobre si o peso da cruz e vencer o maligno (Mt 26:36-46 “Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo. Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade. E, voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os seus olhos estavam pesados. Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. Então, voltou para os discípulos e lhes disse: Ainda dormis e repousais! Eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem está sendo entregue nas mãos de pecadores. Levantai-vos, vamos! Eis que o traidor se aproxima.”).
Os evangelhos registram a vida de oração do Mestre. Ele orava pela manhã (Mc 1:35 “Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava.”), à tarde (Mt 14:23 “E, despedidas as multidões, subiu ao monte, a fim de orar sozinho. Em caindo a tarde, lá estava ele, só.”) e passava noites inteiras em comunhão com Deus (Lc 6:12 “Naqueles dias, retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus.”). Se Ele viveu esse tipo de experiência 24 horas por dia, de igual modo Deus espera a mesma atitude de cada crente. Não apenas uns poucos minutos, com palavras rebuscadas de falsa espiritualidade, para receber as honras dos homens, mas em todo o tempo, como oferta de um coração que se dispõe a permanecer humildemente no altar de oração.
A oração modelo, registrada em Mt 6:9-13, não é simplesmente uma fórmula para ser repetida. Se assim fosse, o Mestre não teria condenado as “vãs repetições” dos gentios. Seria uma incongruência. O seu propósito é revelar os pontos principais que dão forma ao conteúdo da oração cristã. Ela não é uma oração universal, mas se destina exclusivamente àqueles que podem reconhecer a Deus como Pai, por intermédio de Jesus Cristo. A oração do crente, sincera e completa em seu objetivo, traz em si estes aspectos:
Nossas orações não serão atendidas se não tivermos fé genuína, verdadeira (Mc 11:24 “Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco.”; Mc 9:23 “Ao que lhe respondeu Jesus: Se podes! Tudo é possível ao que crê.”; Hb 10:22 “aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.”, Tg 1:17 ” Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.”; Tg 5:15 “E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.”).
Nossas orações devem ser feitas em nome de Jesus, ou seja, devem estar em harmonia com a pessoa, caráter e vontade de nosso Senhor (Jo 14:13-14 “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.”).
A nossa oração deve ser feita segundo a vontade de Deus que muitas vezes nos é revelada pela sua palavra, que por sua vez deve ser lida com oração (Ef 6:17-18 “Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus; com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos”, 1 Jo 5:14 ” E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.”, Mt 6:10 “venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;”; Lc 11:2 “Então, ele os ensinou: Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu reino;”; Mt 26:42 “Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.”) .
Devemos andar segundo a vontade de Deus, amá-lo e agradá-lo para que Ele atenda as nossas orações (Mt 6:33 “33 buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.”; 1 Jo 3:22 “e aquilo que pedimos dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que lhe é agradável.”, Jo 15:7 “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.”; Tg 5:16-18 “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.”, Sl 66:18 “Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido.”, Pv 15:8 “O sacrifício dos perversos é abominável ao SENHOR, mas a oração dos retos é o seu contentamento.”).
Finalmente, para uma oração eficaz, precisamos ser perseverantes (Mt 7:7-8 “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á.”; Cl 4:2 “Perseverai na oração, vigiando com ações de graças.”; 1 Ts 5:17 “Orai sem cessar.”; Sl 40:1 “Esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro.”).
Em princípio, o crente deve orar em todo o tempo (1Ts 5:17 “Orai sem cessar.”; Ef 6:18 “com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos”). É um estado permanente de comunhão com Deus, onde o seu pensar está ligado as coisas que são do alto (Cl 3:2 “Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra;”). É uma condição que não dá lugar para ser atingido pelos dardos inflamados do inimigo, pois seu espírito está sempre alerta, através da oração. Ele deve, no entanto, ter momentos específicos de oração pela manhã, à tarde ou à noite, como fez o nosso Senhor Jesus. Orações públicas, como as que se fazem nos cultos, são também uma prática bíblica, desde que não repitam o formalismo, a exterioridade e a hipocrisia dos fariseus. O Senhor Jesus mesmo, por diversas vezes, orou publicamente (Jo 11:41-42 “Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste.”).
O lugar onde se mede a intensidade da comunhão do crente com Deus é no seu “lugar secreto” (Mt 6:6 “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.”) para estar a sós com o Senhor. É ali, sozinho, com as portas fechadas para as coisas que o cercam e abertas para o Senhor, que ele de fato revela se a oração é para si mera formalidade ou meio que o conduz à presença de Deus para um diálogo íntimo, pessoal e restaurador com Aquele que deseja estar lado a lado com seus filhos. “A menos que exista tal lugar, a oração pessoal não se manterá por muito tempo nem de maneira persistente”. A oração do crente não tem como propósito atrair a atenção dos homens, mas é o meio por excelência de seu encontro pessoal com Deus, para que cresçamos em fé e vivamos uma vida cheia do Espírito Santo, guardando-nos do maligno. Jesus é o Senhor. Amém.
Fonte: Estudo Bíblico
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